Sorocaba, 05/10/2026 – A recuperação judicial é uma importante ferramenta para preservar empresas, empregos e atividade econômica, mas ainda precisa ser mais acessível às micro, pequenas e médias empresas. A avaliação foi feita por Erly Domingues de Syllos, 3º vice-presidente do CIESP, durante a IV Jornada do Direito da Insolvência, realizada na última sexta-feira (2), no auditório da OAB Sorocaba. Para o empresário, é necessário avançar na criação de mecanismos mais rápidos e adequados à realidade dos negócios de menor porte, que frequentemente enfrentam dificuldades para acessar instrumentos de reestruturação.
Participando do painel “Novas Oportunidades para Empresas”, Syllos destacou que os processos de recuperação de grandes companhias produzem impactos em toda a cadeia produtiva, atingindo fornecedores e prestadores de serviços que, em muitos casos, são micro, pequenas e médias empresas. Segundo ele, essas empresas enfrentam dificuldades financeiras decorrentes do não recebimento de valores e nem sempre contam com estrutura jurídica e financeira para buscar uma recuperação judicial ou extrajudicial.
“Essas pequenas, médias e microempresas que fazem parte da cadeia produtiva de todas essas megas empresas estão passando por inúmeras dificuldades e, muitas vezes, não usam as ferramentas de uma recuperação judicial ou extrajudicial”, afirmou.
Para o 3º vice-presidente do CIESP, o desafio está em ampliar o acesso dessas empresas aos mecanismos de recuperação. Muitas acabam encerrando suas atividades ou migrando para outros negócios sem utilizar ferramentas que poderiam contribuir para sua reorganização.
Syllos defendeu ainda a criação de procedimentos mais adequados à realidade das PMEs, considerando que grandes companhias possuem estrutura financeira e jurídica para conduzir processos complexos, enquanto pequenos e médios negócios frequentemente não dispõem dos mesmos recursos.
“A gente poderia ter um tratamento um pouco diferenciado para as micro e pequenas empresas, um sistema mais simples e ágil, de modo que elas continuem saudáveis no país, gerando emprego e movimentando a economia”, observou.
Realizada no auditório da OAB Sorocaba, a IV Jornada do Direito da Insolvência reuniu especialistas do Direito, empresários, magistrados e profissionais ligados à gestão para discutir diferentes aspectos da reestruturação empresarial.
A programação contou ainda com os painéis “O Fisco na Reestruturação Empresarial”, que abordou temas como compliance e a separação entre empresa e empresário; “Tendências Legislativas”; “A modernização da atuação dos auxiliares da Justiça”; e “Análise Econômica do Direito”.
Para Syllos, a participação do setor produtivo no evento reforçou a importância de aproximar a discussão jurídica da realidade enfrentada pelas empresas, especialmente diante dos impactos que processos de insolvência podem provocar sobre empregos, fornecedores, credores e toda a cadeia produtiva.
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