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IA na gestão de pessoas

Prof. Dr. Sandro Breval Santiago abordou os desafios das lideranças na adoção estratégica da inteligência artificial em evento promovido pelo NJE do CIESP SBC, em parceria com a LGK Gestão e Governança

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tecnologia experimental e passou a fazer parte da operação das empresas. O desafio, agora, é transformar sua adoção em resultados concretos para o negócio. Essa foi uma das principais reflexões apresentadas pelo professor doutor Sandro Breval Santiago durante o webinar “IA na Liderança e na Gestão”, realizado nesta quarta-feira, 22 de julho, pelo Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) do CIESP São Bernardo do Campo.

Pós-doutor pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e também professor convidado da Fundação Dom Cabral, Sandro Breval destacou que a incorporação da IA deve ser conduzida como uma decisão estratégica de gestão, e não apenas como uma iniciativa tecnológica.Segundo dados apresentados pelo especialista, 88% das organizações já utilizam inteligência artificial em pelo menos uma função de negócio e 78% das pequenas e médias empresas brasileiras aplicam a tecnologia em algum setor da operação. Entretanto, apenas 39% das empresas relatam uma contribuição material da IA para seus resultados financeiros.Para o professor “o gargalo não é tecnológico, é de gestão. A adoção da IA deve ser acompanhada por indicadores relacionados a custos, receitas, produtividade e tempo dos processos. O número de usuários, acessos ou comandos realizados em uma plataforma, isoladamente, não comprova a geração de valor.”

Durante o encontro, o professor também alertou para o chamado “AI washing”, quando produtos ou serviços são apresentados como inteligência artificial, mas oferecem apenas automações básicas.

Para evitar esse risco, recomendou que as empresas analisem a qualidade dos dados, a segurança das informações e a existência de revisão humana.

Compartilhamento de conhecimento entre as gerações

Outro tema abordado foi a transformação do papel dos gestores, que têm a  responsabilidade de validar conteúdos produzidos pela IA, orientando as equipes e assegurar o uso ético e seguro das ferramentas.

Nesse quesito ele ressaltou a importância da mentoria reversa, na qual profissionais mais jovens compartilham conhecimentos tecnológicos com gestores e executivos.

A prática já vem sendo adotada por grandes empresas e pode contribuir para aproximar diferentes gerações, acelerar o aprendizado e ampliar a capacidade de inovação das organizações.

Prototipagem rápida com responsabilidade

Durante o webinar, Sandro Breval também realizou demonstrações práticas de ferramentas de inteligência artificial capazes de criar protótipos de sistemas e aplicações digitais a partir de comandos em linguagem natural.A possibilidade permite que líderes validem ideias, processos e novos produtos em um período mais curto, antes de realizar investimentos elevados em desenvolvimento.

No entanto ressaltou que rapidez sem governança pode gerar problemas de segurança, manutenção e qualidade.

Quatro passos para transformar IA em resultado

Ao final da apresentação, Sandro Breval propôs um roteiro para que empresários e gestores avancem na utilização estratégica da inteligência artificial:

  1. Mapear antes de automatizar: identificar decisões e tarefas repetitivas que consomem tempo das lideranças e das equipes. 
  2. 2. Realizar um projeto-piloto: testar uma hipótese real, em pequena escala, com prazo curto e critérios de sucesso previamente definidos. 
  3. 3. Formar “tradutores” dentro da equipe: capacitar profissionais capazes de compreender as necessidades do negócio e, ao mesmo tempo, revisar e validar o que a tecnologia entrega. 
  4. 4. Medir resultados, e não apenas a adoção: acompanhar indicadores como custos, produtividade, receitas, qualidade e tempo dos processos. 
  5. A iniciativa integra as ações do Núcleo de Jovens Empreendedores do CIESP São Bernardo do Campo voltadas à atualização das empresas, ao fortalecimento das lideranças e à disseminação de conhecimentos relacionados à inovação, competitividade e transformação digital.