Reunião Plenária reuniu empresários e lideranças para discutir o uso estratégico da tecnologia, os novos desafios do recrutamento e a necessidade de adaptação das organizações
O CIESP São Bernardo do Campo promoveu, no dia 29 de julho, a Reunião Plenária “Indústria Competitiva na Era da IA”, com a participação dos empresários Fábio Mottola e Benício Filho. O encontro discutiu os impactos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, a gestão empresarial e a competitividade da indústria.
Fundador e CEO da Hubjob, Fábio Mottola abordou os desafios de recrutar e reter profissionais na era da inteligência artificial. Segundo ele, as empresas precisam acompanhar as transformações do mercado e rever práticas que já não atendem às expectativas dos profissionais e às necessidades dos negócios.
“Não é possível adaptar o mundo ao nosso negócio”, afirmou. Para Mottola, as organizações devem compreender as mudanças de comportamento dos profissionais, especialmente das novas gerações, e construir ambientes capazes de gerar conexão, pertencimento e propósito.
O palestrante ressaltou que a retenção de talentos não depende apenas de remuneração. “Se a pessoa não sente propósito, ela sai. É preciso se conectar com o colaborador e oferecer um senso de propósito. Quando o líder se importa, o colaborador se conecta com o trabalho”, destacou.
Durante a apresentação, Mottola também chamou a atenção para o aumento da rotatividade no mercado de trabalho brasileiro. De acordo com os dados apresentados, a rotatividade total passou de 25% para 36% entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2025. Entre os profissionais de 18 a 24 anos, o índice avançou de 22% para 41% no mesmo período.
No recrutamento, a inteligência artificial trouxe novas possibilidades, mas também desafios. Currículos produzidos ou aprimorados por ferramentas de IA podem dificultar a identificação das competências reais dos candidatos, enquanto candidaturas automatizadas ampliam o volume de informações que precisam ser analisadas. Para Mottola, a tecnologia deve apoiar o processo seletivo sem eliminar o olhar humano e a avaliação individual dos profissionais.
Tecnologia precisa estar alinhada à estratégia
Na sequência, Benício Filho apresentou a palestra “Indústria Competitiva na Era da IA: tecnologia, talentos e gestão”. Empresário, conselheiro e mentor, ele destacou que a competitividade nasce da integração entre pessoas, processos, tecnologia e inteligência artificial.
“A IA não salva operações desorganizadas. Ela potencializa e escala organizações que já estão bem estruturadas”, afirmou.
Segundo Benício, antes de incorporar novas ferramentas, as empresas precisam organizar processos, estabelecer objetivos e preparar as equipes. A transformação digital, acrescentou, não deve ser compreendida como um projeto com começo, meio e fim, mas como um ciclo permanente de diagnóstico, gestão, segurança, automação, capacitação e melhoria contínua.
O palestrante também apresentou três pilares para uma atuação empresarial mais competitiva: tecnologia, talentos e gestão. A tecnologia deve contar com infraestrutura adequada, automação e segurança digital; os profissionais precisam ser capacitados e liberados de tarefas repetitivas para assumir atividades de maior valor; e a gestão deve garantir que os investimentos tecnológicos estejam alinhados aos objetivos estratégicos da organização.
Para o diretor titular em exercício do CIESP São Bernardo do Campo, Jorge Alberto Corso, a inteligência artificial representa uma transformação que exige abertura, planejamento e capacidade de adaptação por parte das empresas.
“Os processos de mudança sempre provocam dúvidas e exigem um período de adaptação. Foi assim quando os computadores começaram a substituir as máquinas de escrever e está sendo assim agora com a inteligência artificial. As empresas que compreenderem esse movimento e souberem utilizar as novas tecnologias de maneira inteligente, responsável e alinhada aos seus objetivos terão melhores condições de aumentar a produtividade, aprimorar a gestão e manter sua competitividade. A tecnologia não substitui a estratégia nem a capacidade humana, mas amplia significativamente os resultados quando é bem aplicada. O CIESP SBC, como representante da indústria, promove esses eventos, justamente para promover essa troca de informações e conhecimento.”, concluiu Corso.
Durante o encontro, Mauro Miaguti, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Juventude de SBC, falou sobre os trabalhos do Comitê de Eletromobilidade.