
A região de São João da Boa Vista registrou saldo positivo de 1.223 empregos formais em 2025, segundo dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Embora o resultado indique abertura de vagas, este foi o menor saldo desde 2020, mas não foi exclusivo da região, o movimento nacional também é de desaceleração da economia.
No acumulado de janeiro a dezembro, foram registradas 63.033 admissões e 61.810 desligamentos nas sete cidades que integram o levantamento – Aguaí, Casa Branca, Espírito Santo do Pinhal, Mococa, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo e Vargem Grande do Sul. O saldo corresponde à diferença entre contratações e demissões. O Novo Caged consolida dados do eSocial, Caged e Empregador Web para apuração do emprego formal no país.
Nos últimos anos, a região vinha registrando desempenho superior. Em 2020, o saldo foi de 2.288 empregos; em 2021, foi de 3.682 empregos; em 2022, foram 2.912 novos postos; em 2023, o saldo foi de 1.976; e em 2024, 2.114.
Já no ano passado, o número caiu para 1.223. O setor de serviços liderou a geração de empregos na região, com 1.057 vagas abertas ao longo do ano, seguido pela indústria, que gerou 532 postos de trabalho. O comércio teve saldo discreto de 14 vagas. E o agronegócio e a construção civil encerraram 2025 com saldo negativo, demitindo mais do que contrataram.
Para o vice-diretor do Ciesp São João da Boa Vista, Adriano Alvarez, a região demonstrou resiliência, apesar do ritmo mais lento. “Mantivemos saldo positivo em 2025, diferentemente de algumas regiões que fecharam no vermelho, mas o ritmo foi claramente mais moderado. Isso reflete o cenário nacional de desaceleração, com juros elevados e crédito caro ao longo do ano, o que impactou diretamente a indústria, setor estratégico para nossa região, especialmente nos segmentos metal-mecânico, autopeças, plásticos e agroindústria”, afirmou.
Segundo ele, além do custo do crédito, a demanda interna mais fraca e o aumento dos custos operacionais reduziram investimentos e contratações. “O agronegócio teve meses de bom desempenho, como julho, puxado por cidades como Vargem Grande do Sul e São José do Rio Pardo, mas o ano como um todo foi de menor dinamismo”, analisou.
Para 2026, a expectativa é de melhora gradual. “Com a projeção de queda da Selic a partir do segundo trimestre, o crédito tende a ficar mais acessível, o que pode estimular investimentos industriais e novas contratações. A injeção de renda, o reajuste do salário mínimo e o próprio ciclo eleitoral, com aumento de obras e consumo, também podem favorecer comércio, serviços e construção”, avaliou.
Desempenho por cidade
Espírito Santo do Pinhal liderou o ranking regional em 2025, com saldo de 736 empregos. Foram 16.959 admissões e 16.223 desligamentos ao longo do ano. O resultado superou com folga o de 2024, quando o município havia registrado saldo de 359 vagas.
Mococa ocupou a segunda posição, com 452 novos postos de trabalho. A cidade contabilizou 9.658 admissões e 9.206 demissões no acumulado do ano, mantendo desempenho consistente em relação à movimentação do mercado formal.
Em Aguaí, o saldo foi de 210 empregos, resultado de 5.216 admissões e 5.006 desligamentos. O município manteve geração positiva, embora 70,7% abaixo do desempenho registrado em 2024.
Casa Branca fechou 2025 com saldo de 160 vagas formais. Ao longo do ano, foram 4.081 admissões e 3.921 demissões, mantendo estabilidade no mercado de trabalho local.
São José do Rio Pardo registrou saldo de 90 empregos, com 10.078 admissões e 9.988 desligamentos. O município havia liderado o ranking regional em 2024 e manteve saldo positivo, ainda que em ritmo menor.
Já São João da Boa Vista encerrou o ano com saldo negativo de 194 empregos, resultado de 11.432 admissões e 11.626 desligamentos. Em 2024, a cidade havia fechado com leve saldo positivo, de 20 postos de trabalho. No ano passado, o setor industrial foi o que mais demitiu, fechando 413 postos de trabalho; e o comércio gerou 49 empregos.
Em Vargem Grande do Sul, o saldo também foi negativo, com 189 postos de trabalho a menos no acumulado do ano, resultado das 5.661 admissões contra 5.850 demissões.