A região de São João da Boa Vista iniciou o ano com saldo positivo na geração de empregos formais. Em janeiro, foram criadas 68 novas vagas com carteira assinada, segundo dados do Novo Caged, painel de informações do Ministério do Trabalho e Emprego.
O resultado marca uma reversão importante após quatro meses consecutivos de saldo negativo: dezembro de 2025 (-1.342), novembro (-341), outubro (-3.050) e setembro (-21). Na comparação com janeiro do ano passado, o cenário também é mais favorável; em 2025, o primeiro mês do ano havia registrado fechamento de 44 postos de trabalho.
O desempenho positivo foi sustentado principalmente pela indústria, responsável pela criação de 238 vagas no período. A construção civil também contribuiu para o resultado, com saldo de 41 empregos. Por outro lado, os setores de agronegócio (-68), comércio (-141) e serviços (-2) registraram retração.
Ao todo, foram contabilizadas 4.662 admissões e 4.594 desligamentos na região, que abrange os municípios de Aguaí, Casa Branca, Espírito Santo do Pinhal, Mococa, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo e Vargem Grande do Sul.
Para o diretor titular do CIESP São João da Boa Vista, Luís Otávio de Mendonça Castilho, o resultado indica um sinal positivo, especialmente pelo papel da indústria na retomada do emprego. “Depois de uma sequência de meses negativos, esse saldo positivo em janeiro traz um indicativo importante de retomada, ainda que moderada. A indústria mais uma vez demonstra sua força como motor da economia regional, não só nas exportações, mas sustentando a geração de empregos formais e ajudando a reequilibrar o mercado de trabalho”, analisou.
Segundo ele, o momento exige atenção, mas também confiança. “Ainda há desafios, principalmente em setores que seguem com desempenho negativo, como comércio e agro. Além disso, os empresários na indústria enfrentam juros importantes para investimento, o que acaba gerando instabilidade. No entanto, o resultado de janeiro reforça a importância de fortalecer o ambiente de negócios e criar condições para que a indústria continue investindo, produzindo e gerando oportunidades”, completou.
O saldo de empregos corresponde à diferença entre admissões e desligamentos. O Novo Caged consolida informações do eSocial, do Caged e do Empregador Web para monitorar a evolução do emprego formal no país.
Desempenho local
A análise por município mostra que a retomada do emprego formal na região ocorre de forma heterogênea, mas com um fator em comum, o papel decisivo da indústria na geração de vagas.
Vargem Grande do Sul liderou a criação de empregos em janeiro, com saldo positivo de 73 vagas, resultado de 430 admissões e 357 desligamentos. No município, a indústria contribuiu com 18 postos, enquanto a construção civil teve destaque com 23 vagas. O município vinha apresentando saldo negativo desde setembro de 2025.
Na sequência, São João da Boa Vista registrou saldo de 47 empregos (881 admissões e 834 desligamentos), com forte protagonismo da indústria, responsável por 78 vagas, o principal motor da geração de empregos no município no período. São João não celebrava um saldo positivo desde outubro do ano passado.
Espírito Santo do Pinhal também apresentou resultado positivo, com saldo de 44 vagas. A cidade registrou 1.439 admissões e 1.395 desligamentos em janeiro, impulsionada principalmente pela indústria, que gerou 59 empregos formais, com grande distância do setor de Serviços, cujo saldo foi de 11 vagas.
Entre os municípios com saldo negativo, observa-se um padrão semelhante: mesmo onde o resultado geral foi de retração, a indústria apresentou desempenho positivo. Em Mococa, por exemplo, o saldo total foi de -12 vagas, com 654 admissões contra 666 desligamentos, considerando todos os setores. Mas a indústria sozinha criou 44 postos.
Em São José do Rio Pardo, apesar do saldo negativo de -26 empregos, o setor industrial respondeu por 66 novas vagas. No total, a cidade registrou 598 contratações e 624 demissões, considerando a somatória de entradas e saídas no agronegócio, indústria, construção, comércio e serviços.
Já em Casa Branca, a indústria teve participação mais moderada na geração de empregos, com a abertura de 14 postos de trabalho, o que, aliado ao desempenho negativo de outros setores, contribuiu para o resultado geral desfavorável no mês, com o fechamento de 50 vagas.
Por fim, Aguaí encerrou o primeiro mês do ano com saldo de -8 postos. Na cidade, o único setor que teve saldo positivo foi o de Serviços (34). Somando todos os setores, o município registrou 411 admissões ante 419 demissões.
De modo geral, os dados reforçam o papel estratégico da indústria como vetor de geração de empregos formais na região, sustentando resultados positivos em diversos municípios e amenizando quedas em outros.