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Exportações da região de São João da Boa Vista crescem 12,1% no acumulado do ano

Mesmo diante das incertezas que marcam o comércio internacional em 2026, com discussões sobre tarifas, mudanças nas cadeias globais de suprimentos e novos movimentos das principais economias mundiais, a região de São João da Boa Vista mantém a trajetória positiva nas exportações. Dados do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp apontam que os 20 municípios da Diretoria Regional do Ciesp exportaram, juntos, US$ 354,2 milhões entre janeiro e maio deste ano, crescimento de 12,1% em relação ao mesmo período de 2025. As importações alcançaram US$ 92 milhões, resultando em um superávit comercial de US$ 262,2 milhões.


São João da Boa Vista exportou US$ 25,1 milhões entre janeiro e maio deste ano e registrou superávit comercial de aproximadamente US$ 17,9 milhões no período. O município ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores da regional do Ciesp, atrás apenas de Espírito Santo do Pinhal e São José do Rio Pardo.


A pauta exportadora de São João combina produtos industriais e agroindustriais. Os principais embarques foram de corindo artificial, óxido e hidróxido de alumínio, que responderam por quase metade das exportações locais, além de café, frutas e equipamentos para distribuição e comando de energia elétrica. A lista inclui ainda máquinas agrícolas, componentes mecânicos, peças industriais, produtos químicos, artigos de confecção e equipamentos de alta tecnologia, demonstrando a diversidade da base produtiva sanjoanense. Os embarques alcançaram dezenas de mercados internacionais, incluindo Bélgica, Alemanha, Países Baixos (Holanda), Luxemburgo, Áustria, Reino Unido, Itália, Polônia, Argentina, Espanha e Estados Unidos.


Já na região, os principais produtos exportados continuam fortemente ligados ao agronegócio e à indústria de alimentos. Café, chá, mate e especiarias responderam por 57,2% das exportações, seguidos por preparações alimentícias diversas (20,8%) e animais vivos (4,2%). E as importações concentraram-se principalmente em máquinas e equipamentos mecânicos, leite e laticínios e produtos plásticos.


Entre os principais mercados compradores dos produtos da região estão Alemanha, Itália e Rússia. Do lado das importações, China, Estados Unidos e Suíça aparecem como os principais fornecedores.


Para o vice-diretor do Ciesp São João da Boa Vista, Adriano Alvarez, os números refletem a capacidade de adaptação das empresas diante de um cenário internacional cada vez mais dinâmico. “Estamos acompanhando uma reorganização importante do comércio mundial. As discussões tarifárias envolvendo os Estados Unidos, as mudanças nas rotas logísticas e a busca das empresas por novos mercados criam desafios, mas também oportunidades. Na nossa região, por exemplo, temos observado um volume expressivo de operações ligadas à BYD, que vem assumindo custos logísticos elevados, com fretes marítimos superiores a US$ 8 mil por contêiner. Isso mostra que as empresas continuam apostando no mercado brasileiro e na capacidade produtiva nacional. Por outro lado, esse alto custo dos contêineres traz preocupação a muitos exportadores, então também merece atenção”, analisa.


Segundo Alvarez, medidas recentes também podem contribuir para fortalecer a competitividade das empresas brasileiras. “No cenário interno, existem iniciativas positivas, como os incentivos voltados ao setor agrícola e o Plano Brasil Soberano, que tende a ampliar as condições para investimentos e competitividade. Para as indústrias da nossa região, isso representa uma oportunidade de ampliar mercados, investir em tecnologia e fortalecer sua presença tanto no mercado interno quanto no exterior”, ressaltou.


Os resultados mostram que, mesmo diante das turbulências do comércio internacional, a região mantém presença competitiva no mercado externo, sustentada pela diversificação de sua produção e pela capacidade de atender diferentes mercados ao redor do mundo.