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Rafael Cervone* São Paulo – com o porto mais importante (Santos), dois dos mais movimentados aeroportos (Cumbica e Viracopos) e o maior parque manufatureiro do País – deve liderar as transformações necessárias nos transportes brasileiros. Visando contribuir para o avanço dessa agenda, realizamos o evento, organizado pela Diretoria Jurídica do CIESP, “Infraestrutura, Indústria e Concorrência: Caminhos para uma Política de Estado na Logística Nacional”. Quanto à movimentação de cargas, o País ainda depende muito do modal rodoviário, que responde por cerca de 65% do total. isso representa altos custos por tonelada/quilômetro e compromete a rentabilidade das empresas. Pior: muitas rodovias estão malconservadas, enquanto investimentos em ferrovias e hidrovias seguem tímidos. Merece atenção o alerta de Guilherme Theo Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ao palestrar em nosso evento, de que a participação das ferrovias no transporte de cargas no Brasil, em torno de 21%, ainda está muito aquém do necessário. Países como os Estados Unidos e a China, com grandes áreas territoriais, como a nossa, já desenvolveram há tempos o transporte multimodal integrado. Por isso, vejo com bons olhos o fato de o Governo Federal ter desencadeado o Plano Nacional de Ferrovias. Porém, é essencial que o programa tenha continuidade. Assim, endosso as palavras de Helcio Honda, diretor jurídico do CIESP, também proferidas no evento, ao destacar que a descontinuidade de projetos, provocada por mudanças de governo e de prioridades, gera insegurança jurídica e afasta investimentos. Precisamos transformar infraestrutura em política de Estado, acima de ciclos eleitorais. No CIESP e na FIESP, temos colaborado com esse processo, propondo políticas públicas, gerando discussões e demonstrando o quanto o tema é decisivo. Uma de nossas contribuições é o trabalho da Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem das entidades. Oferecemos ferramentas como o Dispute Board, mecanismo eficiente para resolver conflitos em contratos de longa duração, como os das obras de infraestrutura. Precisamos fazer a integração dos modais, garantir segurança jurídica e fomentar investimentos privados. O Brasil necessita de uma logística à altura de sua economia e da necessidade de promover robusto crescimento sustentado do PIB. *Rafael Cervone é o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).