TV Interativa Ciesp: Paulo Skaf sugere medidas para superar crise - CIESP

TV Interativa Ciesp: Paulo Skaf sugere medidas para superar crise







Kênia Hernandes

INTERATIVIDADE – Canal da indústria paulista deve ser ferramenta de debate do setor industrial.

Em conversa com 700 empresários, que nesta terça-feira (9) participaram da primeira transmissão da TV Interativa Ciesp, o presidente do Centro e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, sugeriu uma série de medidas para que poderiam ajudar na retomada do crescimento do Produto Interno Bruto.

O PIB registrou queda de 0,8% no primeiro trimestre deste ano, segundo dados do IBGE, colocando o Brasil em recessão técnica após pontuar o segundo trimestre seguido de retração da atividade econômica.

Para tirar o País da turbulência econômica global e levar o PIB a patamares similares ao do ano passado, o presidente do Ciesp e da Fiesp indicou três medidas que deveriam ser adotadas pelo Estado com urgência:

– Aumentar o crédito disponível, principalmente, para micro, pequenas e médias empresas;

– Desonerar a carga de impostos sobre a cadeia produtiva;

– Reduzir a Selic a 7%.

Crédito
De acordo com Skaf, a ampliação do acesso a fontes de financiamento por micro, pequenas e médias empresas Skaf poderia ser facilitada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) do governo federal e o Fundo de Aval paulista. “Até agora, esses fundos eles não saíram do papel. Eles é que vão ajudar a ‘desengessar’ o acesso ao crédito”, afirmou.

No mesmo sentido, o dirigente indicou a necessidade de o Banco Central liberar cerca de R$ 60 milhões disponibilizados por compulsórios bancários (depósitos que os bancos fazem aos cofres do BC), medida que imprimiria mais liquidez ao sistema financeiro e reduziria o spread bancário (taxa cobrada sobre a tomada de empréstimo).

“O governo federal também poderia isentar as transações financeiras de impostos como o IOF, o que levaria a uma redução dos juros cobrados pelos bancos”, sugeriu.

Desoneração tributária






Kênia Hernandes

SKAF – “É inexplicável a razão pela qual o BC não reduz drasticamente a Selic.”

Como reflexo da desoneração sobre a atividade produtiva, Skaf afirmou que “o custo-benefício positivo” seria a diminuição da carga tributária, a manutenção de postos de trabalho nas fábricas e o aumento da arrecadação de impostos puxado pelo aumento do consumo.

O dirigente deu como exemplo a isenção fiscal do IPI a itens da construção civil, veículos e produtos da linha branca (eletrodomésticos), que teriam reduzido a carga tributária em R$ 600 milhões. “Em compensação, o incremento de vendas aumentou a arrecadação de PIS, Cofins e ICMS em mais de R$ 1 bilhão”, ressaltou.

Selic
A redução da taxa básica de juros a 7%, segundo estimativa da Fiesp/Ciesp, levaria ao patamar de 3% ao ano o juros real, que equivale a taxa de lucro sobre investimentos. Com isso, o governo federal conseguiria economizar R$ 70 bilhões em pagamento da dívida pública.

“É inexplicável a razão pela qual o BC não reduz drasticamente a Selic. Se tivéssemos uma taxa básica de juros de 7%, o governo também economizaria porque deve R$ 1,3 trilhão. A economia de R$ 70 bilhões poderia ser usada para investir em crédito”, afirmou Skaf.

“Espero que haja responsabilidade do Copom em reduzir a Selic de forma significativa. Caso contrário, que ele assuma a responsabilidade pelo agravamento da crise e pelo desemprego no país”, considerou.

Nivaldo Souza, Agência Ciesp de Notícias