TRECHO SUL - RODOANEL - CIESP

TRECHO SUL – RODOANEL

Falhas no projeto podem causar transtorno às indústrias

 

As obras de construção do trecho Sul do Rodoanel, em andamento desde maio do ano passado, são motivo de preocupação para as regiões de Mauá e ABC paulista. Com 61,4 quilômetros de extensão, a nova via ligará o trecho Oeste, na rodovia Régis Bittencourt, ao sistema Anchieta-Imigrantes, que leva à baixada santista e ao Porto de Santos, incluindo um prolongamento até a Avenida Papa João XXIII, em Mauá.

 
O novo trecho do Rodoanel – obra considerada fundamental para aliviar o gargalo logístico da região – deveria facilitar o escoamento de mercadorias e melhorar o transporte de cargas, beneficiando toda a indústria local. No entanto, a falta de projetos de ligação entre as vias pode acabar prejudicando o tráfego no centro da cidade de Mauá.
 
O Ciesp, representado pela Regional de Santo André, criou neste ano uma Comissão, composta pelas principais entidades da região, com o objetivo de conhecer os detalhes e características da obra. No projeto inicial, a ligação da asa Sul do anel viário à cidade de Mauá – feita através da Av. Papa João XXIII – termina no viaduto Juscelino Kubitschek. Um dos problemas levantados foi a ausência de prolongamento do final da Papa João XXIII até a Av. Jacu Pêssego, em São Paulo. “Se essa ligação não for feita, todo o trânsito do Rodoanel vai parar dentro de Mauá, o que vai causar um transtorno enorme”, argumenta o diretor titular do Ciesp Santo André, Shotoku Yamamoto.
 
Para parte do problema, no entanto, há solução. O Ciesp local fez um levantamento junto à Secretaria Estadual de Transporte e à Dersa, responsável pela construção, e verificou que existe um projeto em estudo de viabilidade para fazer a ligação entre São Paulo e Mauá por meio do viaduto JK, que, até então, ficaria sem seqüência. “A inclusão desse ramal está em análise de impacto ambiental, e a construção deve começar em setembro. É um projeto enorme, mas acreditamos que vá em frente, porque há interesse do governo do Estado nele”, afirma o gerente regional do Ciesp Santo André, Eduardo Silva.
 
O pleito da indústria
A grande falha do projeto em execução, segundo o Ciesp, é a falta de prolongamento e ligação da Avenida dos Estados, na divisa de Santo André e Mauá, com o viaduto JK. A Comissão liderada pelo Ciesp, juntamente com o Departamento de Infra-Estrutura (Deinfra) da Fiesp, reuniu-se em 11 de fevereiro com o secretário estadual de Transportes, Mauro Arce, e o presidente da Dersa, Thomaz de Aquino Nogueira, e foi informada oficialmente de que o prolongamento da avenida não pertence ao projeto. “É uma via de grande escoamento e transporte, e a falta dessa ligação isola o acesso de grande parte da nossa região ao trecho Sul do Rodoanel”, explica o gerente do Ciesp local.
 
Com apoio das Diretorias Regionais do Ciesp em São Bernardo, São Caetano e Diadema, e de outras entidades representativas da região, a Comissão compareceu à reunião munida de um Termo de Acordo da Câmara Regional do ABC, assinado em 2002 pelo então governador Geraldo Alckmin e por prefeitos, autoridades e entidades da região, que determina o prolongamento da avenida. Segundo o diretor do Ciesp Santo André, no entanto, o secretário de transportes argumentou que a questão não cabe ao Estado, e sugeriu que a entidade mobilizasse as prefeituras.
 
Para o Ciesp, essa lacuna na obra do anel viário estadual vai prejudicar a logística da região do ABC, uma vez que todo o fluxo da Av. dos Estados que se dirigir ao Rodoanel deverá atravessar o Bairro de Capuava – área que já enfrenta trânsito carregado e pode não comportar um aumento no fluxo de veículos. “Nós pedimos que a avenida fosse prolongada margeando o rio Tamanduateí, até chegar ao viaduto JK. Mas ainda não há nem estudo para isso”, expõe Yamamoto.
 
Adequação do sistema viário
No último dia 18, o Ciesp e demais representantes da Comissão reuniram-se com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC para encontrar uma solução para o problema, e tentar ganhar força junto ao Governo do Estado para incluir o trecho de aproximadamente 2,7 quilômetros na obra do Rodoanel. A proposta de construir a ligação margeando o rio, no entanto, esbarrou em outras questões. “O prolongamento passaria por dentro do Pólo Petroquímico do Grande ABC. A empresa não admite a obra por questões de segurança, e também porque dificultaria a expansão do pólo”, diz Yamamoto. A solução acordada foi a construção de um viaduto sobre a estação ferroviária de Capuava, em Mauá, eliminando-se a passagem de nível. “Não é o ideal, mas é uma alternativa que resolve parcialmente o problema”, aponta o diretor.
 
O projeto foi encomendado pelo Consórcio Intermunicipal à empresa Geométrica, que tem 120 dias para apresentar a proposta. Depois disso, a tarefa será encaminhar a demanda ao governo do Estado, para que aprove a construção do trecho. “O governo vai ter interesse em fazer, porque o viaduto vai substituir a travessia da estação, hoje feita pela cancela – substituição que será obrigatória para a construção do expresso CPTM em Mauá”, garante o gerente regional Eduardo Silva.
 
Para Shotoku Yamamoto, a obra é fundamental porque, se não for feita, vai atrapalhar a logística de todas as indústrias que escoam a produção pela região. “Nosso papel vai ser pressionar a prefeitura para pedir a inclusão da obra no projeto do Rodoanel. Se o pleito for atendido, será uma vitória muito grande para as empresas”, sublinha Yamamoto. O grupo técnico de logística regional do Consórcio Intermunicipal reúne-se na próxima segunda-feira, 25, para dar início à elaboração do projeto de adequação. 
 
Foto: arquivo Dersa
 
Agência Ciesp de Notícias
Mariana Ribeiro
22/02/2008