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Encerramento de companhia aérea mobiliza Ciesp por manutenção de serviços

 

O presidente do Ciesp, Paulo Skaf, negocia junto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e ao Ministério da Defesa a manutenção dos serviços aéreos nas cidades de Bauru, Marília, Araçatuba e Presidente Prudente, que podem ser prejudicadas com o cancelamento da licença de operação da Pantanal Linhas Aéreas. O objetivo é garantir a continuidade dos vôos por outras companhias aéreas. “O fim das operações será um transtorno muito grande. O presidente Skaf tenta articular para que não haja prejuízo para a região”, diz o diretor titular da Regional de Bauru, Domingos Malandrino.

 
A partir da próxima segunda-feira, 25 de março, a Pantanal deixará de operar. A empresa teve sua concessão de transporte aéreo suspensa pela Anac ao não comprovar o pagamento de impostos e contribuições à Receita Federal e à Previdência Social. A companhia também não repassou ao órgão federal informações técnicas necessárias à renovação. Procurada, a direção da Pantanal não quis se pronunciar.
 
Saúde e desenvolvimento
Embora possua somente seis aeronaves de 45 lugares e represente apenas 0,02% do volume de vôos nacionais, a Pantanal é a única companhia em operação em Bauru e Marília, sendo responsável pela ligação dessas cidades com São Paulo. Para Domingos Malandrino, o fim das atividades da empresa pode afetar o comércio, a indústria e o serviço de saúde da região.
 
A cidade conta com o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho, da Universidade de São Paulo, referência em cirurgias faciais e cranianas na América Latina. “A suspensão da Pantanal é um prejuízo de ordem pública, porque em Bauru existe uma mobilidade muito grande na área da saúde. Tem muita gente que usufrui do transporte aéreo para vir passar por cirurgias aqui”, afirma o diretor do Ciesp.
 
Em 2007, o Centrinho atendeu 20 mil pacientes em tratamentos regulares. Mais de 10% deles utilizaram transporte aéreo custeado pelo programa Tratamento Fora do Domicílio (TFD) do Sistema Único de Saúde (SUS). “A suspensão das operações do aeroporto vai refletir bastante no atendimento dos pacientes. Muitos deles são carentes e vêm de avião de vários municípios do Brasil. Nós atendemos pessoas de 3.335 cidades do país, sendo que 312 delas pagam viagens para os pacientes”, diz a diretora de serviço social do hospital, Regina Garcia.
 
No âmbito econômico, a extinção da Pantanal pode prejudicar o desenvolvimento da cidade. Segundo estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), repassado ao Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder) do Ciesp para divulgação, Bauru tem potencial logístico estratégico importante para a região noroeste do estado de São Paulo. O município está localizado no entroncamento da Rodovia Marechal Rondon, é cortado pela antiga Ferrovia Nova Oeste (em fase de revitalização) e está a 20 km da Hidrovia Tiête-Paraná. Em 2007 o aeroporto Moussa Tobias movimentou 790 toneladas de carga e aproximadamente 55 mil passageiros em vôos regulares, número 25% maior que no ano anterior, conforme a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. “Esse mapa de potencialidades facilita a comunicação com mercados de extrema importância, como Minas Gerais e Paraná, por exemplo. Avaliando tudo isso pela ótica empresarial, a região é uma das mais importantes do país para o ambiente de negócios”, afirma o presidente do Coder, Ricardo Coube.
 
Agência Ciesp de Notícias
Nivaldo Souza
19/03/2008