SP: atividade industrial deve cair 5% no ano - CIESP

SP: atividade industrial deve cair 5% no ano







Pedro Ferrarezzi

SACCA – Para atividade produtiva fechar o ano 5% abaixo de 2008, indústria precisa crescer 2,4% ao mês


Em uma hipótese “otimista”, a atividade da indústria paulista de transformação deve cair 5% neste ano, segundo projeção feita nesta quinta-feira (28) pelo Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp).

Para atingir o resultado, que seria o pior desde 2003, o Indicador de Nível de Atividade (INA) calculado pelas entidades precisaria crescer 2,4% ao mês, com ajuste sazonal, pelos próximos oito meses.

“São níveis de crescimento difíceis de serem atingidos. É uma sequência que nunca se conseguiu na história da indústria”, avaliou Walter Sacca, diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp e da Fiesp.

O INA apontou estabilidade no mês de abril – alta de 0,1% com ajuste sazonal. Já a variação sem ajuste (nominal) foi negativa em 1,6%. No acumulado do ano, houve queda de 14,6% – a pior variação de toda a série histórica, iniciada em 2001, nesta base de comparação.

“No momento, a atividade da indústria está 11,8% abaixo da média obtida no ano anterior. Este é o resultado negativo que teremos se o indicador ficar estável nos próximos meses”, projetou André Rebelo, gerente do Depecon. “Será um grande feito fechar o ano com queda de 5%, levando em consideração a tarefa que temos pela frente”, acrescentou.

Recuperação gradual







Pedro Ferrarezzi

REBELO – “Será um grande feito fechar o ano com queda de 5%, levando em consideração a tarefa que temos pela frente”


Para terminar o ano sem declínio de atividade, com crescimento zero, o INA precisaria computar elevação mensal de 3% – o que é pouco provável, segundo as entidades. Para Walter Sacca, o indicador está em ligeira recuperação, quase atingindo um novo patamar.





 



“Não achamos que a indústria deve recuperar a performance do ano passado. Tudo leva a crer que a recuperação será gradual, mas não de forma rápida”, reforçou o diretor. “Há indícios de que, realmente, o pior da crise já tenha passado para o Brasil. O que não significa que estamos imunes”, prosseguiu.

Variáveis
Entre os componentes do INA, destaque para o total de vendas reais, com queda de 10,2% em abril. No acumulado do ano, tiveram baixas expressivas o total de horas pagas (-6,8%), horas trabalhadas na produção (-9,1%) e horas médias trabalhadas (-7,1%). O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) atingiu 78,4% no mês, contra 82,6% em abril do ano passado.

Setores
Após uma série de resultados negativos no início do ano – quando os demais setores já apresentavam leve recuperação –, as atividades ligadas a metalurgia básica tiveram um início de melhora em abril, com alta de 2% na série dessazonalizada do indicador. O acumulado do ano computa baixa de 27,3%.

O segmento de minerais não metálicos está mais próximo da média do INA e indica tendência de estabilidade. Houve elevação de 0,6% com ajuste, mas o setor acumula queda de 4,1% no ano. Já o item alimentos e bebidas experimenta aumento nas vendas e crescimento de 4,5% de janeiro a abril. No mês, a elevação foi de 2%.

Sensor
O indicador antecedente da Fiesp alcançou 51,8 pontos na segunda quinzena de maio e indicou desta vez, mais claramente, uma tendência de expansão da atividade industrial. Pela terceira apuração seguida o Sensor se descolou dos 50 pontos, que indicam neutralidade.

“É um resultado bom, que mostra retomada. Mas não sabemos a intensidade desta retomada, que ainda é muito tênue”, ponderou André Rebelo. “Estamos deixando o pior para trás, e o que vem pela frente é qualitativamente melhor”, acrescentou.

Mercado (61,3) e vendas (56,6) seguiram puxando o Sensor para cima – o que indica percepção de aquecimento do setor e melhor expectativa de negociações futuras. Emprego e investimentos também tiveram alta, de 51,5 e 51,9 pontos, respectivamente.

O estoque registra pontuação próxima de 40 há três medições – 37,5, nesta quinzena –, o que dá indícios de que o ciclo de ajuste dos estoques está chegando ao fim. “Os resultados, associados ao aumento das vendas, que vêm com força desde março, indicam que o estoque está próximo do planejado. Com isso, as futuras vendas levarão a um aumento de produção”, garantiu Rebelo.

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias