Skaf questiona presidente do Banco Central sobre a taxa de juros para os ACCs - CIESP

Skaf questiona presidente do Banco Central sobre a taxa de juros para os ACCs

 

Para o presidente da Fiesp/Ciesp, elevadas taxas de juros colocam setor privado diante de dois caminhos: optar pelo crédito bancário e correr o risco de não conseguir quitar sua dívida, ou não recorrer ao mecanismo e limitar sua produção

Em reunião com o presidente do Banco Central Brasileiro, Henrique Meirelles, nesta segunda-feira (17), o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, pediu explicação sobre o considerável aumento das taxas de juros aplicadas pelos bancos privados do País para os Adiantamentos de Contratos de Câmbios (ACC).

Com dados do próprio Banco Central, Paulo Skaf mostrou que da semana de 29 de outubro a 4 de novembro de 2008, a taxa cobrada pelo Itaú foi de 21,6% mais a variação cambial; a do ABN Real fechou em 18,2%; do Unibanco ficou em 12,5%; do Banco do Brasil em 8,7%; e do Santander em 7,1%, além da variação cambial.

“Se o funding dos bancos para ACC é o mesmo, como uma instituição pode cobrar 21% e outra 7%? Por que há tanta diferença?”, questionou Skaf, que defendeu as medidas anunciadas pelo BC para não travar o sistema de crédito no Brasil, mas ressaltou que elas não foram suficientes para aliviar o custo do crédito e que o setor financeiro está “brincando com coisa séria”.

Para se ter uma idéia, na primeira semana do ano, o Itaú, por exemplo, trabalhava com uma taxa de 9,4% mais variação, ou seja, um aumento de mais de 100%. Skaf adiantou que irá procurar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para dar mais explicações.

“Agora restam duas alternativas: ou a empresa recorre ao crédito e sofre com os juros altos e se arrisca a não conseguir liquidar sua dívida, ou não recorre ao crédito e limita sua produção”.

Pelo histórico do Banco Central dos últimos dois meses, parece que o setor privado optou por não recorrer a esse tipo de financiamento. O estudo apresentado por Skaf mostra uma queda considerável nos ACCs.

De 1º a 5 de setembro, o Banco Central contabilizou US$ 291 milhões em ACCs. Nos cinco primeiros dias de outubro, esse número caiu para US$ 132 milhões. Já na primeira semana de novembro o total contabilizado foi de apenas US$ 78 milhões.

Fábio Rocha
Agência Indusnet Fiesp
17/11/2008