Skaf e embaixador planejam encontro entre Brasil e Argentina em abril - CIESP

Skaf e embaixador planejam encontro entre Brasil e Argentina em abril

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de equilibrar o comércio entre a Argentina e o Brasil, o presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, recebeu nesta segunda-feira (13) o novo embaixador argentino no país, Luis Maria Kreckler, para planejar um encontro entre os países membros do Mercosul em abril, cujo assunto principal será a expansão de investimentos comerciais entre as nações “que prestigie o bloco”, afirmou Skaf.

“Neste evento de abril, o governo e os empresários argentinos vão mostrar suas vantagens competitivas e com isso estimular os investimentos brasileiros, que já são muitos lá na Argentina, mas que podem ser muito mais”, afirmou o presidente da Fiesp após se reunir com Kreckler, que deixou a Secretaria de Comércio e Relações Econômicas Internacionais da Argentina para assumir ao cargo de embaixador em novembro do ano passado.

A indústria deve promover esforços para adquirir maior volume de mercadorias produzidas pela Argentina, mas em troca espera pela melhora do fluxo de exportações brasileiras para o mercado argentino.

No início do mês, Skaf se reuniu com ministros e empresários argentinos em Buenos Aires para discutir negociações comerciais, restrições a bens importados e outros assuntos. Um dos temas da agenda foram as medidas restritivas impostas pela Argentina que entraram em vigor em 1º de fevereiro. Pelas novas regras, os argentinos passaram a exigir informações prévias sobre todas as importações de bens de consumo.

“Quando estive em Buenos Aires, recebi a garantia de que o intuito dessa medida não é prejudicar o comércio entre o Brasil e a Argentina, então foi dado um voto de confiança. Vamos aguardar até o final desse mês para ver o procedimento do governo argentino”, explicou Skaf a jornalistas.

O embaixador Kreckler também garantiu que as medidas para regular as importações argentinas não são exclusivamente dirigidas ao comércio brasileiro. “É para melhorar a coordenação entre os órgãos de administração pública federal da Argentina. É uma forma de colocar mais ordem entre os importadores.”

Esforço conjunto

Para Kreckler, o encontro com Paulo Skaf traduz os esforços entre os governos e empresários argentinos e brasileiros para estreitar a relação comercial entre os dois países e fortalecer a atividade econômica do Mercosul.

“A gente está fazendo um trabalho conjunto. Estamos estudando como a Argentina pode vender mais ao Brasil e não estamos falando em nenhuma restrição. Isso precisa ficar claro”, acrescentou o embaixador.

Skaf reiterou que comprar mais produtos da Argentina não sugere ao setor produtivo brasileiro descontinuar as robustas exportações ao país vizinho.

O Brasil registrou um superávit comercial de US$ 5,8 bilhões com o parceiro no Mercosul. O saldo favorável de 2011 se deve a exportações totais de US$ 22,7 bilhões de produtos brasileiros para o mercado argentino. As importações brasileiras de mercadoria argentina chegaram US$ 16,9 bilhões em 2011.

“A nossa representação está bastante consolidada e a sugestão é que o Brasil continue vendendo bem para a Argentina e passe a comprar mais. Se alguém tiver uma fórmula melhor do que essa, e que atenda aos interesses dos produtores brasileiros e argentinos, me mostre, e eu passo a defender outra coisa, mas me parece que essa é a melhor forma”, concluiu Skaf.