Skaf critica juros abusivos da Selic e falta de investimentos em infraestrutura - CIESP

Skaf critica juros abusivos da Selic e falta de investimentos em infraestrutura

Paulo Skaf voltou a defender nesta quarta-feira (11) a “redução urgente” da taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 12,75% ao ano. Segundo o presidente do Ciesp e da Fiesp, a taxa está 5% acima do que precisaria, uma vez que a meta de inflação para este ano está abaixo do centro da meta, em torno de 4%.

 

“A dívida do governo federal é de R$ 1,5 trilhão de reais, e 5% a mais são R$ 75 bilhões para pagamento de juros que deixam de ser direcionados a infraestrutura. Isso é crime”, afirmou Skaf, durante almoço com empresários do Ciesp, em São Paulo.

 

O líder empresarial também defendeu ampliação do Conselho Monetário Nacional (CMN), que hoje é formado pelo presidente do Banco Central, e ministros do Planejamento e da Fazenda.

“Quem traça política econômica não pode ter visão só de moeda. Quando a inflação no Brasil era de 80% ao mês, em 1988, tínhamos um monstro a combater. Mas com 4% ao ano, nosso problema no momento não é a inflação”, disse, reforçando a necessidade de se fazer reformas estruturais.

 

Crise

Paulo Skaf não demonstrou pessimismo, mas pregou a cautela em relação aos impactos da crise financeira global, que atinge o Brasil desde outubro passado. “Há notícias aqui de que a crise já acabou, porque a indústria automobilística dobrou a produção em janeiro. Isso é falta de conhecimento ou, no mínimo, de transparência”, sublinhou.

 

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a média diária de produção de veículos marcou 8.900 unidades em janeiro, um crescimento de 92,7% em relação a dezembro. No total, foram produzidos mais de 186 mil veículos no mês, contra 96 mil no último mês de 2008.

 

“A indústria automobilística produzia quase 15 mil unidades por dia até setembro. Houve uma recuperação da queda em janeiro, mas em relação aos números de setembro a produção é 30% menor. Esta foi a queda real”, argumentou Skaf.

Em dezembro, o governo federal adotou medidas de estímulo ao setor, em caráter temporário, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que permitiram uma baixa de preços.

 

“Gostaria muito de pregar otimismo, mas isso é enganação. Se não tivermos consciência de que estamos diante de uma crise grave e desconhecida, não estaremos preparados a tomar medidas necessárias para enfrentá-la”, acrescentou.

 

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias