Selic é "munição" do Brasil para minimizar crise, avaliam empresários - CIESP

Selic é “munição” do Brasil para minimizar crise, avaliam empresários

Cortar a taxa básica de juros (Selic), reduzir jornada de trabalho e salários e desonerar a carga tributária são medidas emergenciais necessárias para que as empresas brasileiras consigam evitar demissões em massa, o efeito mais contundente da crise financeira internacional que chega ao Brasil.

A avaliação foi feita nesta quarta-feira (14) por alguns dos principais empresários do País, durante reunião do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, na sede da entidade.

“O fato de os juros serem muitos altos no Brasil, neste momento, tem um lado positivo: mostra que temos como munição a redução da taxa Selic”, avaliou o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

Em pronunciamento duro, Skaf criticou a distância entre o discurso do governo de que está ativo no combate à crise e a postura do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne na próxima quinta-feira (22) para decidir se reduz ou não os juros.

“A política econômica não é do Copom, é do governo. Se os juros não baixarem, ou não baixarem na velocidade necessária, esse problema [demissões] passa a ser da política econômica. Então, parte do desemprego será culpa do governo”, observou.

Para o líder empresarial, contudo, a “preocupação é de que a munição não seja desperdiçada”. Segundo ele, “se a Selic de 13,75% estivesse em 8,75%, estaríamos falando de R$ 70 bilhões que deixaríamos de pagar em juros para investir, por exemplo, em infra-estrutura”.

Entendimento trabalhista
Os empresários também indicaram a diminuição da quantidade de horas trabalhadas e, proporcionalmente, dos salários como condição para frear o aumento de demissões. Em contrapartida, estão dispostos a não dispensar mão-de-obra durante o período determinado por possíveis acordos validados por sindicatos (de trabalhadores e patronais) e o governo.

“Durante o tempo em que ficar acordada a redução da jornada e de salário, a manutenção do nível de emprego tem de ser garantida”, enfatizou Skaf, ressaltando que a garantia ao trabalhador será o “bom senso” dos empresários.

Ciesp/Fiesp, outras federações patronais e sindicatos estudam medidas para evitar demissões e que devem ser anunciadas até o final da próxima semana.

Skaf reafirmou o compromisso de que o Senai-SP vai abrir, inicialmente, 100 mil vagas em cursos a profissionais afetados pelo corte. “Para ocupar a ociosidade de tempo, colocamos os cursos a disposição dos trabalhadores para que possam se aprimorar para o mercado”, garantiu.

Reforma tributária
Paulo Skaf sinalizou que embora seja necessária, a reforma tributária não dever ser discutida no calor da turbulência econômica. O argumento é de que a redução do Produto Interno Bruto (PIB) vai diminuir a arrecadação, abrindo flanco para possíveis aumentos de impostos.

“Só vamos apoiar um projeto [de reforma] que tenha risco zero de aumento da carga tributária. Ao mínimo sinal de elevação, seremos contra”, avisou.

 

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Nivaldo Souza, Agência Ciesp de Notícias