Responsabilidade ambiental não é mais modismo, afirmam deputados - CIESP

Responsabilidade ambiental não é mais modismo, afirmam deputados

Em evento da XI Semana Fiesp-Ciesp de Meio Ambiente, realizado nesta quinta-feira (4) em São Paulo, empresários e representantes do governo paulista tiveram um discurso uníssono sobre o cumprimento de agendas ambientais e a importância de pautar suas ações pelo desenvolvimento sustentável.

Segundo o deputado estadual Chico Sardelli (PV-SP), presidente da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de São Paulo, a preocupação com as questões ambientais era tida como “modismo” até algum tempo atrás. “Mas hoje é uma discussão que se faz necessária. Temos pautado nossas ações pela responsabilidade ambiental”, disse o deputado.

Para Sardelli, São Paulo tem dado um exemplo nesse quesito. No último dia 2, o estado assumiu papel pioneiro na defesa das águas do país, quando aderiu ao Consenso da Água – pacto criado em março de 2009, na Turquia, e assinado por 250 representantes de governos locais e regionais que se comprometeram a cumprir metas e elaborar um plano de ação para alcançar uma gestão sustentável dos recursos hídricos.

Desenvolver, mas com responsabilidade
O deputado estadual Edson Giriboni (PV-SP) afirmou que a sociedade “acordou” da visão distorcida que colocava o setor produtivo como vilão da preservação ambiental.

“A indústria hoje discute o meio ambiente como ingrediente que deve fazer parte do desenvolvimento das empresas. Não se deve impedir que elas invistam”, sentenciou.

Perceber a importância de desenvolver práticas ecologicamente corretas, até mesmo para reforçar a imagem institucional no mercado, foi a grande virada da indústria, segundo a desembargadora federal Consuelo Yoshida.

“Começamos a sair do discurso, porque criar e manter passivos ambientais é um peso”, afirmou a desembargadora, que é especialista em direito ambiental.

Segundo ela, os empresários reagem rápido por estímulo do mercado, para atrair investimentos. “O marketing ecológico tem dado muito certo. Esse tipo de sensibilização sempre é louvável, desde que haja mobilização pelo meio ambiente”, acrescentou.

Consuelo Yoshida reforçou que a adoção de práticas ambientalmente responsáveis deve ser uma tendência daqui para frente, devido à concorrência externa – principalmente para as empresas que querem se inserir no mercado internacional de forma competitiva.

“Ainda que embutidos nos preços dos produtos, parte dos custos sociais terá que ser internalizada pelas empresas, obedecendo ao princípio poluidor-pagador [do direito ambiental]. Hoje o comércio internacional também é um equalizador”, avaliou a especialista.

Ela também defendeu a inclusão de normas de tributação ambiental na proposta de Reforma Tributária (PEC 233/08), como a incorporação do princípio não-poluidor-recebedor, na linha de incentivos, para que se faça o cumprimento espontâneo da legislação ambiental.

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias