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RESÍDUOS

Experiência alemã inspira projeto paulista de geração de energia a partir do lixo

 

A Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo prepara um projeto-piloto para instalação da primeira Usina de Recuperação de Energia (URE) do país, que deve gerar energia a partir da incineração do lixo domiciliar produzido diariamente na capital paulista. O projeto, inspirado no modelo criado por empresas do Estado Livre da Baviera, na Alemanha, pretende iniciar no Brasil a cogeração de energia limpa (não poluente) à base de combustão de resíduos sólidos e recuperar áreas ocupadas por aterros sanitários tradicionais. A divulgação do projeto ocorreu ontem (25), durante o workshop “Gerenciamento de resíduos sólidos: uma visão de futuro – Missão Baviera”, organizado pelo Departamento de Infra-Estrutura (Deinfra) da Fiesp em parceria com o Ciesp.

 

 “Esse grupo de trabalho [formado por técnicos bávaros e paulistas] tem como meta chegar a uma equação sobre o tratamento dos resíduos para geração de energia. O objetivo é buscar uma solução estratégica em uma unidade composta de objetivos ambientais e energéticos”, afirmou o secretário-adjunto de saneamento e energia, Ricardo Toledo.

 
A Secretaria de Meio Ambiente prevê a produção de 520 kWh por tonelada de lixo queimado. Hoje, as 15 mil toneladas diárias de resíduos produzidos pela população de São Paulo têm 88% de potencial energético. Em um ano, a cidade poderia gerar 300 megawatts (MW) de energia limpa a partir do lixo. Países como Japão, onde 60% do lixo é convertido em energia, França (30%) e EUA (17%) já executam sistema semelhante.“Em termos de gestão de resíduos sólidos, se fala em reduzir o [lixo] que se produz, reciclar estabelecendo mercado para consumir o material reciclado e reusar materiais para geração de energia limpa. Precisamos pensar numa nova cultura. Quanto mais se incinera lixo, mais se recicla”, afirmou o diretor da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), Antonio Bolognesi.
 
Geração auto-sustentável
Segundo o diretor da Emae, o modelo bávaro é auto-sustentável, pois os recursos para implantação e manutenção viriam da venda de energia, assim como de taxas municipais para recolhimento do lixo. Já as prefeituras ganhariam com a redução do gasto com a coleta de lixo e a administração de aterros.
 
Os custos com as unidades de geração de energia limpa também seriam compensados com a negociação de créditos de carbono (MDL) no mercado financeiro. Cada tonelada de resíduo incinerado é proporcional em quantidade de CO2 retirado da atmosfera e equivalente a um barril de petróleo não consumido. O gás carbônico é responsável por 50% das alterações no efeito estufa e sua contenção ocorre porque todo o processo de incineração é rigorosamente filtrado. Somente 2% do lixo processado não é aproveitado, sendo descartado em aterros industriais; 20% do volume queimado vira cinza reutilizável em setores como a construção civil.
 
Outro fator positivo é a quase eliminação dos tradicionais aterros sanitários, o que evitaria a poluição causada pela emissão de gases proveniente da combustão natural do lixo. Assim como a contaminação do solo e do lençol freático por substâncias oriundas dos materiais acumulados (chorume).
 
Fonte para a indústria
A cogeração poderá atender às necessidades do setor produtivo. Isso porque a geração a partir da combustão de lixo pode resultar em outros tipos de energias usadas em processo industriais: vapor, água fria e quente. A Emae estuda regiões metropolitanas onde há demanda para elas – Santo Amaro, na Zona Sul, Vila Leopoldina, Zona Oeste, Capoava, Zona Leste. “É importante que todo potencial energético das usinas seja utilizado”, afirmou Antonio Bolognesi.
 
A iniciativa privada também pode investir na instalação de usinas para reaproveitamento de lixo industrial, uma vez que os órgãos ambientais estaduais vão definir as diretrizes para queima desse material com o uso de um novo sistema de filtragem dos poluentes. O problema é que o alto custo pode inviabilizar projetos autônomos, pois só fica economicamente viável para quantidades acima de 300 toneladas diárias de resíduos. Uma saída seria a formação de grupos geradores-consumidores de empresas de uma mesma região.
 
Foto: arquivo Emae
 
Agência Ciesp de Notícias
Nivaldo Souza
26/02/2008