Reserva energética brasileira garante demanda de mais dois anos - CIESP

Reserva energética brasileira garante demanda de mais dois anos

A reserva energética brasileira é suficiente para atender o consumo interno somente até 2013. A partir desta data, até no máximo 2015, serão necessários que os novos projetos do Plano Decenal de Energia (PDE) saiam do papel, condição fundamental para que as matrizes nacionais tenham capacidade para suprir sua crescente demanda.

A avaliação foi feita nesta segunda-feira (9) pelo presidente da Associação Nacional de Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria, durante o 11° Encontro Internacional de Energia Fiesp/Ciesp, que prossegue até terça (10), no Hotel Unique, em São Paulo.

Segundo ele, a meta nacional de energia está, em sua maioria, calculada na geração hidrelétrica. E para que não haja risco concreto de déficit futuro, é necessário que todos os prazos e projetos vigentes sejam cumpridos sem atrasos, “o que não vem ocorrendo nos últimos anos”.

Mais do que isso, terão de ser complementados por fontes alternativas de geração elétrica, como energia eólica e de biomassa.

“Estamos paulatinamente baixando nossa capacidade de armazenamento energético. Há pouco tempo tínhamos seis anos de folga, hoje esta reserva caiu para três. Isso significa que os planos energéticos não estão acompanhando o crescimento do mercado”, constatou Faria.

Segundo ele, desde 2006 as metas estipuladas pelo PDE, do Ministério de Minas e Energia, não estão sendo correspondidas pelas ações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“Existe, sem dúvida, risco de déficit na oferta de energia. E o que nos tira o sono é que ele só não vai ocorrer com todos os prazos concretizados no tempo exato de seu planejamento”, ressaltou o presidente da Anace.

Situação de conforto
Em contrapartida, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, enfatizou que a previsão média de aumento de capacidade energética para os próximos anos é de 7,2%.

De acordo como especialista, esta é uma situação de conforto para o País, já que só pode haver risco de déficit caso a procura exceda 5% da variação de crescimento em cada subsistema.

“Nossa média produtiva anual é de 55.996 megawatts (MW). Com a porcentagem que podemos avançar, ela chegará em 2014 a 68.542 MW. Além disso, estamos trabalhando a intensificação da biomassa e da energia eólica”, explicou.

Contudo, segundo o diretor da Votorantim Energia, Otávio Resende, esta sobra de 7,2% apontada por Chipp não está totalmente pronta para ser utilizada. Isso porque parte dela não é contratável, ou seja, deve passar por processos que regularizem sua utilização. “Podemos dizer que, mesmo assim, temos capacidade de estocar energia, mas precisamos nos atentar à qualidade dela”, sublinhou.

Resende reiterou a preocupação levantada pelo presidente da Anace, ao insistir que as ferramentas que o Brasil dispõe atualmente são suficientes para garantirà demanda energética somente dos próximos dois anos. “Os prazos precisam começar a ser cumpridos, senão o terceiro ano pode nos trazer dor de cabeça”, alertou.

O diretor da Votorantim recomendou algumas medidas para contornar o impasse:
· Agir com mais determinação e agilidade nos entraves ambientais;
· Aplicar omodelo de expansão que limita a oferta energética;
· Acelerar estudos de viabilidade de novos projetos hidrelétricos;
· Realizar anualmente testes de estresse nas termoelétricas;
· Intensificar projetos industriais de eficiência energética;

“O que mais nos falta para por em prática as metas centrais é determinar, de maneira clara, quem vai acertar o preço e o ritmo adequados para ocumprimento, à risca, dos prazos da PDE”, criticou Otávio Resende.

Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp