Reforma no sistema educacional deve partir do ensino básico - CIESP

Reforma no sistema educacional deve partir do ensino básico

A primeira reforma no sistema educacional brasileiro deverá ser feita nas instituições de educação, a partir do ensino básico, e não propriamente nas regras do sistema – que procuram preservar instrumentos de poder e se concentrar no controle externo das escolas. A afirmação é do presidente do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Paulo Nathanael Pereira de Souza.

“Todas as reformas de ensino inventadas no Brasil dedicam pouca atenção aos aspectos educativos. Reside aí talvez o maior desafio do processo: o papel controlador das instituições nas escolas tem que diminuir”, afirmou Nathanael, nesta terça-feira (24), em reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp.

Para o dirigente do CIEE, a crise da educação brasileira, cuja gravidade se mede pelos resultados negativos das avaliações nacionais e internacionais sobre aprendizagem dos alunos, “já dura uma eternidade e não parece que sairá de cena tão cedo”. Algumas causas mais graves, segundo o especialista:

– Falta de adequação do modelo pedagógico adotado pelo sistema escolar brasileiro;
– Incapacidade da escola em integrar os avanços da tecnologia educacional aos processos didáticos;
– Incapacidade dos professores em estabelecer correspondência entre teoria e prática.

Quantidade x qualidade
Segundo Paulo Nathanael, a falta de pertinência nos vários graus de educação decorre do conflito entre oferta e procura, que se deu a partir do século 20 – com a explosão de matrículas na educação formal, inchaço urbano da população e as novas necessidades da empregabilidade industrial.

“O conflito se estabeleceu entre um sistema concebido para o atendimento de poucos privilegiados, que, de repente, foi transformado em objeto de consumo de multidões heterogêneas”, disse Nathanael, em referencia à educação do passado, que servia às elites minoritárias, como reforço de status social.

“Com o tempo o aspecto quantitativo foi sendo atendido, mas não se atentou suficientemente para a importância da qualidade. É nesse ponto que se observa certa falência da pedagogia brasileira contemporânea”, acrescentou.

Segundo o dirigente do CIEE, a crise também atinge o plano da alfabetização. “Apenas faz-se do analfabeto puro um analfabeto funcional. E os jovens chegam inteiramente despreparados à faculdade e ao mercado de trabalho”, avaliou.

O presidente do Consea, Ruy Martins Altenfelder Silva, destacou a relevância do ensino técnico profissionalizante – como o realizado pelo Sesi e Senai, entidades da indústria – para o desenvolvimento do país.

Segundo Paulo Nathanael, o Brasil é um país retardatário no ensino técnico, mas a necessidade cresceu após a criação do Sistema S, na década de 40. “As escolas técnicas têm mais pertinência do que as demais, têm um objetivo claro, que é preparar pessoas para determinadas profissões. O sucesso é responsável pelo prestígio desse tipo de educação”, ressaltou.

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Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias