Recuperação da indústria será lenta, diz Ciesp - CIESP

Recuperação da indústria será lenta, diz Ciesp

A indústria paulista de transformação experimentou o 10° mês seguido de queda no nível de emprego, em julho, mas já dá sinais de recuperação. A pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Ciesp e a Fiesp apurou baixa de 0,32% no índice com ajuste sazonal, e uma perda líquida de 3.500 postos de trabalho (-0,16%), contra 8 mil vagas eliminadas no mês anterior. Os resultados, no entanto, são os piores para o mês desde 2006.

“O emprego na indústria vem caindo ainda, porém a taxas menores do que nos primeiros meses do ano, tendendo a zero”, avaliou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp/Fiesp.

Segundo Francini, a economia ainda precisa “limpar os ferimentos” causados pela passagem da crise financeira em solo brasileiro, mas a recuperação não deve ser imediata. Só a indústria paulista perdeu quase 200 mil empregos em um ano, segundo a pesquisa das entidades, dos quais 58 mil de janeiro a julho de 2009.

“Se este é o preço que pagamos pela crise, pagamos barato, em comparação com outros países mais atingidos. Mas uma parte da atividade brasileira depende da reação do mundo, e certamente demoraremos anos para reconquistar 200 mil vagas”, atestou o diretor do Ciesp/Fiesp.

Apesar de apostarem na retomada da estabilidade do emprego nos próximos meses, Ciesp e Fiesp demonstram cautela na avaliação do ritmo de recuperação, que vai depender de fatores externos.

“Ainda existem sinais contraditórios nesse quadro. A queda nas exportações, por exemplo, tem uma interferência muito forte na atividade industrial. Além disso, as empresas precisam de confiança para voltar a investir. Daqui vamos para um quadro melhor, mas é impossível transformá-lo em um milagre”, ponderou Francini.

Setores
O saldo entre contratações e demissões em julho foi negativo em 13 setores da indústria. Três deles ficaram estáveis e seis tiveram desempenho positivo no mês. Os setores ligados ao consumo foram bem: vestuário e acessórios (1,8%), produtos diversos, que inclui brinquedos, jóias e bijuterias (0,8%) e couro e calçados (0,7%) encabeçaram a lista. Fabricação de coque, petróleo e biocombustíveis (-1,5%), celulose e papel (-1,4%) e máquinas e equipamentos (-1,2%) foram as principais variações negativas.

Regiões
Com o fim da fase de contratações no setor sucroalcooleiro, o emprego na Grande São Paulo (0,14%) superou o índice do interior paulista (-0,36%), onde se concentram as usinas.

Das 36 diretorias do Ciesp no estado que compõem o levantamento, o saldo positivo de empregos industriais é mais forte nas seguintes regiões:



  • Matão (13,34%), pelo segundo mês consecutivo, com expressiva alta no setor de Produtos Alimentares (27,27%) e Vestuário (15,38%);


  • Jacareí (1,66%), puxada principalmente por Produtos Químicos (1,22%) e Produtos de Metal (0,25%);


  • Piracicaba (1,34%), com destaque para Produtos Alimentares (2,53%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (2,24%).

    As regiões que encabeçaram as demissões no estado foram:


  • São Carlos (-2,48%), influenciada por Produtos de Metal (-10%) e Minerais não Metálicos (-1,51%);


  • Santa Bárbara D’Oeste (-1,79%), principalmente nos setores de Máquinas e Equipamentos (-8,05%) e Borracha e Materiais Plásticos (-1,21%);


  • Presidente Prudente (-1,79%), puxada por Produtos Alimentares (-4,20%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-0,41%).

    Sensor
    O indicador antecedente da Fiesp registrou mais um resultado positivo: atingiu 56,5 pontos na primeira quinzena de agosto, o melhor da série histórica desde abril de 2008. Mercado (63,3) e Vendas (60,2) seguem em alta, e o estoque (47,7) se aproxima da neutralidade. Emprego (54,5) e Investimentos (55,6) também indicam tendência de recuperação.

    “O Sensor está enxergando coisas melhores para frente. Certamente essa sensação chegará aos resultados da indústria em um momento próximo”, apostou Paulo Francini.




  • Veja aqui o resultado da primeira quinzena do Sensor Fiesp

    Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias