"Queremos mais comércio com o Brasil", afirma presidente do México - CIESP

“Queremos mais comércio com o Brasil”, afirma presidente do México







Anderson Ferreira

CALDERÓN – “Uma maior integração e intercâmbio comercial, e um maior fluxo de investimentos entre nossos países está na rota correta de desenvolvimento que queremos.”

Embora Brasil e México respondam por 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, o fluxo de comércio bilateral está aquém do potencial das duas maiores economias do continente: US$ 7,4 bilhões, em 2008. A avaliação foi feita pelo presidente mexicano Felipe Calderón, no sábado (15), durante encontro empresarial promovido pela Fiesp.

“Vim a São Paulo, o coração econômico do Brasil, para dizer que queremos mais comércio e mais investimentos entre México e Brasil. Queremos mais presença do México no Brasil, e vice-versa”, declarou Calderón.

“O Brasil é o sócio comercial mais importante do México na América Latina, sendo nosso sétimo maior parceiro no mundo”, ressaltou, apontando que nos últimos quatros anos as empresas mexicanas investiram US$ 3 bilhões em solo brasileiro.

De acordo com o mandatário, o bom relacionamento político entre os países é o fiel da balança que pode impulsionar as relações comerciais. “Compartilharmos os mesmos valores de desenvolvimento com justiça social, desenvolvimento humano e integração nacional. Assim como a vontade de trabalhar com o mundo para buscar uma nova conjuntura internacional de paz, seguridade e de bem-estar social”, sublinhou.

Livre comércio: “tabu”
Apresar de já contar com 44 acordos de livre comércio firmado com países como Israel, Japão e Noruega, além da União Europeia, o México resiste em ratificar um tratado comercial amplo com o Brasil. Segundo Calderón, o tema é um “tabu” em seu país. “Há muitos elementos que devemos ponderar. É um tema complexo e difícil”, justificou, sem muitos detalhes.

A afirmação do chefe de Estado foi uma resposta à manifestação do diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca. O dirigente enfatizou que o setor produtivo nacional tem grande interesse de ampliar o fluxo bilateral de produtos.

“A indústria brasileira tem feito grande esforço no sentido de contribuir para que nossas economias tenham cada vez mais interação e sinergia”, afirmou Giannetti.
Segundo ele, foi com este sentido que a Fiesp realizou, em 2007, um encontro empresarial com empreendedores de ambos os países. Além de assinar um memorando de cooperação com a Câmara de la Industria de Transformación de Nuevo Oleón (Caintra), para beneficiar pequenas e médias empresas.

A corrente bilateral de comércio foi apontada por Giannetti como “potencial”, tendo crescido 126% entre 2003 e 2008, após a assinatura do ACE55, que permitiu maior presença do setor automotivo brasileiro no mercado mexicano, responsável por US$ 2,1 bilhões no ano passado.

“O intercâmbio com o México representa apenas 1,3% do fluxo comercial do Brasil. A experiência dos últimos anos mostra o potencial de nossas relações”, ressaltou “Chegou o momento de expandir mais as nossas relações. Sobretudo num momento em que nossas economias estão mais fragilizadas pela crise”, indicou o diretor da Fiesp.

Em resposta, o presidente mexicano declarou que recebia “com muito interesse” as propostas dos empresários brasileiros. “Reafirmo minha convicção de uma maior integração e intercâmbio comercial, e um maior fluxo de investimentos entre nossos países está na rota correta de desenvolvimento que queremos”, ponderou Felipe Calderón.

Resistências recíprocas
Após mencionar os efeitos da crise econômica mundial em seu país, cuja concentração das exportações para os Estados Unidos é da ordem 82% do comércio exterior mexicano, Calderón reconheceu que “depois de muitos anos de resistências recíprocas” as maiores economias latino-americanas estão dispostas a se aproximar.

“Hoje, entendemos que as oportunidades que temos como sociedades e como economias [na América Latina] estão numa maior e mais profunda integração entre nossas poderosas economias”, indicou. “Meu governo está comprometido a estreitar os laços entre nossos países, para que trabalhemos juntos para fazermos dessa oportunidade uma realidade”, declarou Calderón.

Nivaldo Souza, Agência Indusnet Fiesp