Protecionismo agrava crise, alertam Brasil e Holanda - CIESP

Protecionismo agrava crise, alertam Brasil e Holanda







Foto: Vitor Salgado

Na Fiesp, Balkenende e Lula trocam camisas das seleções

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer, nesta segunda-feira (2), que a adoção de medidas protecionistas por parte de alguns países, em resposta à turbulência financeira, coloca em risco a economia global.

“Não temos o direito de aceitar o protecionismo como solução para essa crise”, afirmou o Presidente, em encontro com o primeiro-ministro dos Países Baixos, Jan Peter Balkenende, na sede da Fiesp/Ciesp, na capital paulista.

“Se os americanos se fecharem, se a Europa se fechar, se o Brasil se fechar, a crise ganhará uma dimensão muito maior – e aí, ao invés de solução, poderemos ter o caos”, enfatizou.








Foto: Vitor Salgado

Presidente Lula


Na avaliação do primeiro-ministro holandês, o momento é de “cooperação internacional” para superar turbulência econômica. “Para enfrentar a crise na economia real, é preciso encontrar novas estratégias. O protecionismo não é bom caminho. Por isso, estou contente por vir [ao Brasil] acompanhado de 70 empresas que querem se esforçar para superar essa crise”, declarou Jan Peter Balkenende.

 


Rodada Doha


Lula defendeu a retomada da Rodada Doha de livre comércio como caminho para o que chamou de “lição do século 21”. Segundo ele, a atual crise é uma oportunidade para repensar a regulação das finanças internacionais, dos paraísos fiscais, e um novo papel para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e para os bancos centrais mundiais.

“A saída é mais mercado, mais livre comércio e mais concorrência. Por isso é importante que nós [governantes] estejamos juntos para normatizar o sistema financeiro. Mas, sobretudo, fazer um discurso forte contra o protecionismo e reabrir as negociações de Doha, para que os países mais pobres não se tornem miseráveis com uma crise em que eles não tiveram culpa”, reforçou.

Decisão política
O presidente Lula elevou a liberalização do comércio mundial ao status de solução econômica que está à frente de questões políticas. “Do ponto de vista financeiro, Doha já esteve quase concluída. Mas tínhamos eleições nos Estados Unidos, e temos eleições na Índia, no próximo mês. O problema político pesou. Agora, não tem nada mais que possa impedir a conclusão da Rodada”.

Ele sinalizou que levará a proposta de abertura das negociações ao próximo encontro do G-20, do qual participa no dia 2 de abril, em Londres. “Estou convencido de que a Rodada Doha é mais uma decisão política do que econômica. Esse assunto, certamente, será discutido”, disse Lula, referindo-se a reunião das vinte maiores economias mundiais.


 


O governante holandês indicou que irá ao encontro do G-20 com discurso similar ao do presidente Lula. “Estou convencido de que nossos países estão alinhados. Precisamos de uma nova infraestrutura financeira, regulamentação, supervisão e mais integração. O protecionismo tem de ser evitado a todo custo”, ressaltou Jan Peter Balkenende.


 

Bilateralismo histórico






Foto: Vitor Salgado

Primeiro-ministro da Holanda, Jan Peter Balkenende

Para Balkenende, o histórico das boas relações entre o Brasil e os Países Baixos facilita uma maior interação bilateral. “As relações entre nossos países são excelentes e podemos colaborar não só no âmbito da economia, mas da política, da cultura e também social”, frisou.

O presidente Lula também afirmou que o encontro desta segunda-feira reforça laços diplomáticos. “O fato de o primeiro-ministro estar nos visitando hoje, aqui na sede da Fiesp, é a consolidação de uma história de relações muito fortes entre os Países Baixos e o Brasil”, destacou.

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, classificou o encontro como uma forma “eficaz” de discutir saídas para a crise econômica. “Não há dúvida de que a interação dos dois países é fator capaz de contribuir para que enfrentem, de modo mais eficaz, a crise mundial”, ressaltou.

 

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Mariana Ribeiro e Nivaldo Souza, Agência Ciesp de Notícias