Petróleo e gás levam governo paulista a planejar investimentos sustentáveis no litoral paulista - CIESP

Petróleo e gás levam governo paulista a planejar investimentos sustentáveis no litoral paulista

Adequar um novo cenário, que permita a manutenção e expansão da tradicional logística portuária e a inserção da atividade do petróleo, com mínimos impactos ambientais nas cidades do litoral paulista. Este foi o principal entendimento de especialistas convidados para a palestra “As áreas litorâneas e o desenvolvimento urbano”, realizada na segunda-feira (7), no âmbito da XII Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente.

Na visão dos palestrantes, a atividade petrolífera na Bacia de Santos ganha, a cada dia, novas dimensões em decorrência das oportunidades advindas do pré-sal e expõe a correlação do setor do petróleo com a infraestrutura logística na região. Nesse contexto, iniciativa privada, Poder Público e comunidades locais já se movimentam com vistas à nova realidade da região.

O Governo do Estado, por exemplo, trabalha com projetos de expansão de sul a norte da área litorânea. Os investimentos previstos contemplam desde a expansão e duplicação de rodovias (Tamoios, Mogi-Bertioga, Osvaldo Cruz, SP55), implantação do VLT (veículo leve sobre trilhos entre São Vicente e Santos), remodelação de aeroportos e do porto de Santos até a transformação do Porto de São Sebastião no primeiro porto ambientalmente planejado do Brasil.

Segundo José Roberto dos Santos, coordenador de Infraestrutura e Logística da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, os investimentos irão dinamizar a economia e promover o desenvolvimento ordenado dos municípios.

Estão, também, no programa do governo, a criação de polos e distritos industriais, geração de empregos e capacitação de mão de obra, maior oferta de energia, estímulos à prestação de serviço e armazenagem e fomento da vocação turística da região.

“Nossa proposta é aproveitar as oportunidades que a atividade do petróleo irá oferecer à região, de maneira a não impactar negativamente as áreas sociais e ambientais”, afirmou Santos.

Desafios e pés no chão
A expansão sustentável das atividades econômicas no litoral paulista deve ganhar um importante aliado em julho. Uma parceria entre governo do estado, prefeituras locais e o Ciesp Santos deve anunciar no próximo mês uma avaliação ambiental estratégica para a região. O estudo deverá avaliar a capacidade de suporte ambiental, social, econômico e de uso dos equipamentos públicos com os novos cenários da cadeia do petróleo.

“São Paulo sempre esteve à frente na linha de refinaria, mas nunca como ator principal da atividade extrativa de petróleo. Essa nova condição potencializa outras situações, como o desafio de administrar conflitos que certamente surgirão por conta da dinâmica petrolífera”, previu Sergio Paulo Aquino, presidente do Conselho da Autoridade Portuária (CAP).

Aquino citou seis potenciais tipos de conflitos, inerentes da nova atividade na Bacia de Santos e que precisam de reflexão:

– Conflito portuário/petróleo e gás
– Questões trabalhistas
– Comunidades regionais
– Meio Ambiente
– Clareza quanto a atuação da Petrobras

O sexto conflito citado por Aquino é a “administração da ansiedade”, por parte dos agentes que compõem o novo momento do litoral paulista. “É preciso cautela para que tudo não se transforme em frustração”, alertou, lembrando que a primeira rodada de concessões na Bacia de Santos começou em 1999 e que o processo leva tempo para ser maturado. “Não será da noite para o dia que Santos irá se transformar na Miami brasileira”, reforçou.

Odair Souza, Agência Ciesp de Notícias