Petrobras construirá mais cinco refinarias no País até 2020 - CIESP

Petrobras construirá mais cinco refinarias no País até 2020







Foto: Vitor Salgado

José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras

Uma das metas da Petrobras para os próximos cinco anos é investir na área de abastecimento, que receberá aporte de US$ 47,8 bilhões no período. Ao apresentar o plano de negócios da companhia a empresários da Fiesp, nesta segunda-feira (16), o presidente José Sérgio Gabrielli enfatizou a necessidade de melhorar a qualidade do produto exportado e ampliar a capacidade de refino.

 

“Importamos produtos finos e caros, e exportamos produtos pesados e baratos. Enquanto vendemos gasolina com alto teor de enxofre, compramos nafta, GNL e diesel. É uma situação de desequilíbrio que não tem porque continuar”, afirmou.

 

Na balança comercial de 2008, a estatal exportou 103 mil barris/dia a mais do que importou. Apesar disso, o saldo foi negativo em US$ 926 milhões. O objetivo, segundo Gabrielli, é agregar valor ao petróleo pesado doméstico, produzindo diesel e gasolina nos padrões internacionais. Para isso, a companhia pretende construir cinco novas refinarias até 2020.

 

Viabilidade

Segundo a Petrobras, o plano de negócios da companhia – que prevê investimentos de US$ 174,4 bi até 2013 – é sustentável e baseado em premissas conservadoras. “As projeções de custos consideram o preço do petróleo estimado em US$ 37 o barril, cerca de US$ 10 inferior ao negociado hoje”, sublinhou o diretor financeiro e de relações com investidores da estatal, Almir Barbassa.

 

Além do caixa próprio da companhia, os recursos serão captados junto a grupos de bancos e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já garantiu cerca de US$ 12 bilhões dos US$ 28,6 bilhões que serão investidos em 2009.

 

Para 2010, dos US$ 35 bilhões previstos, a companhia gerará um caixa de US$ 16 bilhões, considerando o barril a 40 dólares. A necessidade de financiamento ficará em US$ 19 bilhões, dos quais US$ 10 bilhões virão do BNDES. “Na crise atual, não há governo que não queira financiar sua indústria”, disparou Barbassa.

 

Segundo ele, a companhia também conta com a redução dos custos dos projetos, junto aos fornecedores, que ainda repassam valores baseados na alta recorde do barril no ano passado, que ultrapassou os 145 dólares em julho. “Além disso, a cada dólar superior ao preço do barril estabelecido em 40 dólares para 2010, contaremos com um caixa extra de US$ 500 milhões, formando um ‘colchão’ de preços”, garantiu o diretor financeiro.

 

Fornecedores

Para garantir a financiabilidade da cadeia de fornecedores, e principalmente reduzir custos para o pequeno investidor e facilitar acesso a crédito, a Petrobras vem tomando uma série de medidas. Para isso, a estatal trabalha com vários bancos na montagem de fundos de direito creditório (FIDCs).

 

“Dentro de um mês, o primeiro desses fundos já deve estar funcionando, e outros serão constituídos, com capacidade de chegar a R$ 1 milhão de reais cada um”, assegurou Almir Barbassa.

 

A Caixa Econômica Federal, paralelamente, lançou um fundo de investimento em participações (FIP) para dar fôlego aos pequenos empresários, para que possam investir diante da demanda apresentada pela Petrobras.

 

Uma das medidas já adotadas pela companhia para garantir maior capital de giro as empresas é a antecipação do prazo de pagamento, de 30 dias para 5 a 10 dias depois de entregue o equipamento. “Só com essa ação, chegamos a disponibilizar R$ 300 milhões por mês aos nossos fornecedores”, afirmou o diretor financeiro da companhia.

 

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Mariana Ribeiro,
Agência Ciesp de Notícias