Pela primeira vez em 13 anos, indústria de transformação demite mais do que contrata - CIESP

Pela primeira vez em 13 anos, indústria de transformação demite mais do que contrata

No ano passado, setor reduziu em 2% seu estoque de emprego formal

A indústria de transformação brasileira perdeu 164 mil empregos durante 2014 e, pela primeira vez desde 2002, registrou mais demissões que contratações, apura a pesquisa do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O levantamento “A importância da indústria de transformação na ótica do emprego”, mostra ainda que, apesar de ser o segundo setor da economia com maior número de empregos formais, a indústria de transformação registrou no ano passado seu pior desempenho desde 2002. Mesmo em 2009, ano da crise global, houve geração líquida de emprego pelo setor.

A redução do estoque do emprego formal no setor foi de 2%. Esse foi o setor que mais perdeu participação no emprego da economia entre 2002 e 2013, apresentando uma queda de 3,1 pontos percentuais.

O trabalho chama a atenção para as implicações da queda do emprego da indústria de transformação, que comprometem a capacidade de crescimento do emprego e da renda do país.

José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec, destaca que a indústria de transformação é o setor que detém maior massa salarial entre os grandes empregadores da economia.

“Em todas as faixas salariais acima de cinco salários mínimos, a indústria continua sendo a maior empregadora. Portanto, é o setor chave para o país atingir o nível de renda per capita de um país desenvolvido.”

O presidente Fiesp, Paulo Skaf, afirma que o país precisa de uma política econômica que favoreça o setor e realce sua importância para a dinâmica econômica.

“A indústria da transformação é a maior dinamizadora da economia: para cada R$ 1 produzido por ela, são gerados mais R$ 1,13 de produção pelos demais setores. O setor industrial é o maior realizador de investimentos produtivos do setor privado, respondendo por cerca de 30% do total investido. Nós, da indústria, respondemos por mais de 22% da massa salarial total do emprego formal privado, equivalente a R$ 215 bilhões em 2013”, argumenta Skaf.

Salários Melhores
A pesquisa aponta ainda que a indústria de transformação é o setor que paga melhores salários na medida em que aumenta-se o grau de escolaridade do trabalhador, contribuindo para estimular o aumento da educação e, consequentemente, elevar a produtividade da economia.

Segundo a análise do Decomtec, a indústria tem a maior produtividade dentre os grandes empregadores privados. A queda da participação da indústria no emprego total contribui, portanto, para a redução do salário médio e da produtividade da economia.

O estudo também mostra que, para cada emprego direto criado pela indústria de transformação, são gerados três indiretos na economia. Já no caso de outros grandes setores, essa relação é de um para um.

Juntos, os segmentos da indústria extrativa, eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza apresentam multiplicador de emprego elevado, mas não representam nem 1% do emprego total.

Clique aqui e veja o estudo na íntegra.

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp