País pede crédito, juros baixos e desoneração, diz Paulo Skaf - CIESP

País pede crédito, juros baixos e desoneração, diz Paulo Skaf

Para a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), a queda de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre, na comparação com o período anterior, ainda caracteriza a morosidade do governo em adotar políticas que devolvam a competitividade às indústrias brasileiras.


“O que a indústria precisa é crédito, juros baixos e desonerações”, disse o presidente das entidades, Paulo Skaf, lembrando que a atual crise atinge os setores da indústria de maneiras diferentes.


“Essa crise não é generalizada, ela pega cadeias produtivas que dependem de crédito ou de exportação. Como o Brasil exporta apenas 20% de sua produção, 80% está no mercado interno e se oferecermos crédito, juros baratos compatíveis com outras partes do mundo e desonerações, teremos uma resposta positiva. Sem dúvida nenhuma, este é o caminho para contornarmos os efeitos nocivos desta crise”, afirmou Skaf.


Sobre o juro básico anual, taxa Selic, que será anunciada amanhã pelo Copom, Skaf afirmou que não podemos admitir um patamar acima de 7%. “Descontada a inflação, a taxa de juros reais ficaria em 3%, continuando bastante elevada. Diversos países estão com os juros negativos ou em torno de 1,5%”, enfatizou.


A retração do PIB, divulgada nesta terça-feira (09/06), já aponta um crescimento negativo para este ano, ao contrário das previsões feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o Brasil teria crescimento de 1% em 2009.


“Para atingir 1%, é preciso que o Brasil cresça, em média, 2,4% nos próximos trimestres. O País só apresentou crescimento de 2% no trimestre, quando o mundo estava apresentando índices acima dos 4%”, explicou Paulo Skaf. “No entanto, a previsão mundial oscila em -1,5% a -2%. Não é o que desejamos, mas se algumas medidas não forem tomadas, dificilmente teremos um ano positivo”, disse.


Na comparação com o quarto trimestre de 2008, o setor que mais sofreu foi a indústria, com queda de 3,1%. A Fiesp e o Ciesp destacam a ação do governo em desonerar o IPI de alguns setores, mas pedem que o benefício seja ampliado para todos os setores da economia brasileira.


“O custo que o governo teve com as desonerações foi compensado pelo aumento de vendas e de outros impostos. Em uma conta simples, se o governo deixou de arrecadar cerca de R$ 600 milhões em IPI, em compensação, arrecadou mais de R$ 1 bilhão em ICMS, PIS e Cofins”, completou Skaf.


Agência Ciesp de Notícias