O voo ousado da BR-Goods - CIESP

O voo ousado da BR-Goods

Texto: Rubens Toledo

Quando Beatriz Cricci saiu para comprar cortinas da casa de praia do pai, viu que as opções eram poucas. E o preço, muito alto.






Foto: Divulgação

A produção caseira de cortinas hoje é um negócio de peso, graças ao espírito empreendedor da proprietária Beatriz Cricci

Por que não costurar eu mesma? – pensou. Para quem tinha o empreendedorismo no sangue, bastaram alguns meses para que seu apartamento se transformasse numa oficina de confecção.

“Comecei a mostrar o produto para as minhas amigas. E as encomendas vieram”, conta a empresária, proprietária da BR-Goods, de Indaiatuba, empresa associada ao Ciesp desde 2004. Do apartamento para o quintal da casa paterna, a produção de cortinas crescia mais e mais.

Numa feira da Equipotel, em São Paulo, Bia fechou uma venda de 800 cortinas para o Sheraton Hotel, de Porto Alegre. Foi o start que faltava para a profissionalização do negócio. E o quintal da casa em Indaiatuba ficou pequeno demais, obrigando a empresa a transferir-se para um galpão com mais de mil metros quadrados.







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Empresa se especializou na produção de cortinas antimicrobianas para leitos hospitalares e tem representantes no Brasil e no exterior

O voo da BR-Goods, no entanto, só estava começando. Atenta ao que os clientes procuravam, Bia Cricci continuou focada na produção de cortinas, mas um tipo de cortina especial, antimicrobiana, para resguardar a privacidade nos leitos hospitalares. “Importamos da Alemanha o fio sintético e aqui fazemos todas as etapas da produção, até o acabamento”, conta a empresária.

O hospital Albert Einstein foi o primeiro a encomendar. Nove de Julho e Sírio Libanês vieram em seguida. Em pouco tempo, a BR-Goods transportava produtos a outros estados e até ao hospital da Alcoa, no coração da Amazônia. Hoje, a empresa tem representantes no Brasil inteiro e também no Paraguai, Argentina e Arábia Saudita.

O Ciesp na vida da BR-Goods
A produção de cortinas de tecido e PVC saltou para 12,7 mil metros em 2010. A carga tributária também cresceu. “A empresa cresce, perde os benefícios fiscais e acaba penalizada”, reclama Bia, que passou a fazer coro contra os juros elevados e o crédito sempre complicado. “Aprovar um plano de negócio tornou-se um verdadeiro calvário. Falta competência nas instituições financeiras”, acrescenta.

Assustada, Bia Cricci compreendeu a importância de estar vinculada a uma entidade de classe e defender o direito de produzir de forma coletiva. Foi então que iniciou o curso de Gestão em Produção Industrial, em nível de pós-graduação, estimulada pelo Ciesp Indaiatuba.







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Tecidos são feitos com fio sintético importado da Alemanha. Produção atingiu 12,7 mil metros em 2010

“Foi um marco importante. A partir desse curso, com um ano de duração, passei a focar mais o produto e a não descuidar da qualidade”, afirma a jovem empreendedora.


Desde então, a gestão da empresa deixou de ser uma prática empírica, mas uma gestão pautada nos fundamentos científicos e padrões de alta competitividade. O passo seguinte foram as participações em feiras internacionais.

“Graças ao Ciesp, visitei a Feira de Produtos Hospitalares em Dusseldorf, na Alemanha. Da próxima vez, quero estar não só como visitante, mas também expondo e vendendo para o mundo”, sublinha.

Para isso, a BR-Goods não descuida da qualidade do seu produto, cujos padrões de conformidade técnica estão assegurados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “Não estamos sozinhos no mercado. A concorrência é forte e qualificada. Mas há espaço para crescer, também na forma de joint-ventures e representações”, admite a empresária.

Com efeito, a empresa já representa a americana Pawling na venda de guardas de proteção (bate-macas) e acaba de fechar parceria com outra importante empresa europeia, embora o “core-business” da BR-Goods continue sendo a confecção de cortinas para leitos hospitalares.

Contato:
sac@brgoods.com.br
(19) 3825-2464