Mantida taxa Selic, mantido equívoco que trava o País - CIESP

Mantida taxa Selic, mantido equívoco que trava o País

Após a decisão de hoje (1/9) do Copom em manter a atual taxa Selic elevada para a realidade do Brasil, a pergunta que deve ser feita não é por que interrompeu a sua política de alta, mas, sim, por que em abril deste ano teve início a equivocada série de aumentos da taxa básica de juros no País.


Nada melhor para responder à pergunta acima do que ler a ata dessa específica reunião do Copom. No documento consta que a demanda doméstica exercia pressão sobre os preços e que o esgotamento da ociosidade das empresas estaria por determinar um descompasso entre a absorção doméstica e a expansão da oferta.


Naquele mesmo instante, vale lembrar, o Ciesp e a Fiesp apontavam que o aumento de inflação então ocorrido devia-se a fatores pontuais, em especial climáticos, e que não existiam riscos do lado da oferta e da capacidade produtiva. Também era lembrado pelas entidades o já anunciado fim dos incentivos tributários previstos para março.


Já estamos em setembro. A inflação dos três últimos meses, conforme IPCA-15, encontra-se próxima de zero. Nos últimos 12 meses é de 4,4%, portanto, dentro da meta estabelecida. A verdade é que a inflação era realmente pontual e os alimentos estão devolvendo, hoje, o forte aumento de preços ocorrido no início do ano.


Terminada a fase dos incentivos tributários, a demanda arrefeceu; e a produção industrial apresentou queda nos três meses do segundo trimestre. A utilização de capacidade produtiva está estável e, até mesmo, com sinal de queda em razão da alta de investimentos.


O que se observa? Mais uma vez errou o Copom no seu diagnóstico. “Tivemos uma desnecessária alta de juros e, agora, essa tendência é suspensa pelo organismo do Banco Central. Restam os ganhadores e os perdedores de sempre. Ganharam os que recebem rendimentos financeiros e perderam os consumidores e empresas que pagam mais pelo crédito utilizado para fazer o País crescer, gerando emprego e renda”, disse o empresário Benjamin Steinbruch, no exercício da presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Perdem também o Governo e a sociedade, sua mantenedora, alguns bilhões pelo aumento do custo da dívida. A próxima ata do Copom, por justiça, deveria começar com a frase: “Desculpem, mas erramos”.

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – CIESP
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP