Mais perto de São Paulo do que Manaus, Paraguai oferece também custos menores e sistema tributário mais simples - CIESP

Mais perto de São Paulo do que Manaus, Paraguai oferece também custos menores e sistema tributário mais simples

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp/Ciesp

O Paraguai é um país de extrema estabilidade, mantém a mesma moeda há mais de 70 anos e tem custo de capital mais baixo, além de mão-de-obra mais barata devido a encargos muito menores determinados por sua legislação trabalhista. E seu sistema tributário é simples e estável. A avaliação foi feita pelo diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, durante o seminário “Paraguai: perspectivas econômicas e oportunidades de investimentos”, realizado na manhã desta quinta-feira (10/3), na sede da Fiesp.

Durante o evento foram apresentadas iniciativas de cooperação entre Brasil e Paraguai, com ênfase na agenda de promoção de investimentos. Para Carlos Fernandez Valdovinos, presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), o seminário foi uma oportunidade para mostrar o que, de fato, está acontecendo no país, a partir de uma perspectiva econômica mundial. “A macroeconomia é fundamental para qualquer outro país que queira investir, analisando como está o entorno internacional neste momento”, disse.

“Há muita complexidade e dinamismo no mundo, e as coisas já estão diferentes do que eram em dezembro de 2015, só que para pior. Toda essa conjuntura mundial tem afetado o Paraguai, mesmo que seja um país pequeno”, continuou o presidente do BCP. Apesar disso, segundo Valdovinos, o Paraguai tem mostrado um crescimento sólido nos últimos dez anos, a uma média de quase 5%, com grande possibilidade de adaptação às novas mudanças, diversidade do setor de serviços e de indústria, com oportunidades para o setor financeiro e diversificação da economia paraguaia em suas exportações.

“Estamos muito orgulhosos da nossa estabilidade monetária, já são 72 anos com a mesma moeda, isso é importante porque implica uma história, a baixa inflação já está na sociedade”, comentou Valdovinos. “O Paraguai também tem uma localização estratégica, antes falavam que estava longe de tudo, das montanhas, das praias, e com o tempo tentamos inverter esse pensamento. Estamos mais perto de São Paulo do que Manaus, começamos a explorar a vantagem de ficar no meio e perto de todos”, enfatizou.

Valdovinos lembrou também que o Paraguai é o único país do Mercosul que tem acesso preferencial à União Europeia, sendo possível realizar a produção no país e levá-la ao mercao europeu com tarifas reduzidas.

Gestão transparente

Santiago Peña, ministro da Fazenda do Paraguai, reforçou que o país tem mantido uma taxa de crescimento muito importante nos últimos anos, mas a realidade é que ainda está correndo de um passado muito atrasado. “Nosso PIB é o segundo mais baixo de toda a região da América Latina, para nós tudo isso é um grande desafio, mas é também uma oportunidade.”

De acordo com ele, o Paraguai tem um perfil de dívida equilibrado, e a ideia é manter essa estabilidade econômica, com redução de desemprego, crescimento salarial e investimentos no capital humano e na educação. “Progresso econômico não faz nenhum sentido se não vier acompanhado de um progresso social. Os indicadores sociais têm melhorado, mas ainda estamos muito atrás. E os indicadores de investimento começaram a melhorar, hoje é favorável ao ambiente de negócios e investimento estrangeiro”, afirmou.

Outra característica importante do governo do Paraguai citada pelo ministro foi a transparência política, que, segundo ele, é uma das principais bandeiras do governo atual. “O que é público deve ser público, as pessoas precisam saber o que o governo faz, temos um firme compromisso com altos padrões de confiança”, defendeu Peña. Para ele, esse comportamento do governo de manter esse tipo de governança permite que a credibilidade do Paraguai para investimentos cresça cada vez mais. “Temos um compromisso de transparência local e internacional, é um compromisso de mostrar que nossa gestão é transparente”, concluiu. 

Seminário com a participação do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central do Paraguai. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp