Lula: América do Sul pode ser polo econômico mundial - CIESP

Lula: América do Sul pode ser polo econômico mundial

A Colômbia é um sócio indispensável para a integração regional, pela localização estratégica do país andino, que tem saídas para o oceano Pacífico e o Mar do Caribe, e também a rota alternativa pelo Canal do Panamá.

A avaliação é do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontrou com o mandatário colombiano Álvaro Uribe nesta segunda-feira (19), em São Paulo.

“Temos todas as condições para transformar o nosso continente em um polo dinâmico da economia mundial. O novo desafio é mostrar que podemos ser os motores da recuperação do crescimento na América do Sul”, afirmou Lula, no encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Colômbia, na Fiesp.

Apesar de o Brasil ser o terceiro maior investidor na Colômbia, com US$ 1,3 bilhão, Lula pediu participação brasileira na “maior obra viária” do país vizinho, a Rota do Sol – rodovia que ligará a capital Bogotá à costa atlântica, com investimentos de US$ 2,6 bilhões.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, acenou de forma positiva para a participação de empresas brasileiras no processo de licitação da rodovia, e apostou nos avanços em infraestrutura para garantir maior integração entre os países.

“A carência em infraestrutura é um dos obstáculos para a nossa competitividade, mas essa deficiência também pode se converter em oportunidade”, declarou. Uribe também destacou a participação do Brasil no fornecimento de veículos para o sistema de transporte colombiano, foco dos investimentos de seu governo em 2009.

Oportunidades
O setor de defesa e a segurança energética são dois pontos de grande convergência entre brasileiros e colombianos. Para o Presidente Lula, o apoio da Colômbia no projeto de desenvolvimento do avião de carga da Embraer pode ser um ponto de partida para o lançamento de uma indústria regional de defesa.

Alinhado com a intenção brasileira, Uribe concordou com a dimensão da empreitada. “É um projeto que oferece oportunidades para a grande indústria aeronáutica brasileira, para a incipiente indústria colombiana e contribui para todo o continente”, reforçou.

Sobre o tema energia, Lula afirmou que Brasil e Colômbia têm todas as condições de assumir uma posição de liderança na Conferência do Clima em Copenhage, capital dinamarquesa, no próximo mês de dezembro.

“Nossos países estão na vanguarda do desenvolvimento de fontes alternativas de energia. As metas ambiciosas adotadas pelo governo Uribe garantem a adição de 10% de etanol à gasolina, e 100% dos veículos novos serão flex fuel até 2016”, disse Lula.

Segundo o presidente colombiano, os vizinhos sul-americanos defendem uma das melhores opções em energia limpa. “O Brasil se mostrou um grande exemplo em biocombustíveis, e nós estamos sendo bons alunos. Estamos dispostos a levar uma posição única para a COP-15”, garantiu Uribe.

Lula anunciou que será feita uma reunião em Manaus com todos os presidentes da região amazônica, no dia 26 de novembro, para a definição de uma posição conjunta que será levada à Conferência do Clima em Copenhage.

Agenda de cooperação
Segundo o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, a intensificação de uma agenda de cooperação é uma grande oportunidade para colocar os vizinhos da América da Sul na vitrine do mundo.

“Colômbia e Brasil ainda buscam afirmação socioeconômica em um ambiente marcado por assimetrias regionais. Quanto mais próximos, mais chances de sucesso nesse desafio”, frisou Skaf.

Em julho deste ano, a Fiesp liderou uma missão à Colômbia com vinte empresários brasileiros, que fizeram mais de 400 reuniões comerciais com foco nos setores de veículos, siderurgia, borracha, plástico, alimentos e defesa.

O governador de São Paulo, José Serra, ressaltou que o fluxo comercial ainda é muito baixo para dois países com 1.600 quilômetros de fronteiras comuns. “É difícil acreditar que mantivemos nossas relações bilaterais em nível historicamente tão insatisfatório”, sublinhou. O estado paulista responde por 25% do comércio entre Brasil e Colômbia.

Comércio em ascensão
As trocas comerciais de Brasil e Colômbia saltaram de US$ 573 milhões, em 1998, para US$ 3,1 bilhões em 2008, com déficit de US$ 1,4 bilhão para o lado colombiano. Mas, de acordo com Lula, há espaço para uma corrente de comércio de US$ 10 bilhões anuais. Segundo ele, o Brasil deveria pelo menos “disputar” a hegemonia das exportações colombianas com os Estados Unidos, responsáveis por 45% das vendas do país vizinho.

“De repente, nós descobrimos que não exploramos nem 20% do potencial na relação comercial dos nossos países. O Brasil deveria importar muito mais da Colômbia, e poderíamos fazer muito mais investimentos além de US$ 1,3 bilhão, o BNDES tem dinheiro para isso”, cobrou Lula.

Em 2008, o Brasil exportou US$ 2,3 bilhões para o território colombiano. Os principais produtos da cesta são aparelhos celulares, com US$ 164,9 milhões; tubos de ferro e aço, US$ 89,6 milhões; e aviões a turboélices, US$ 85,9 milhões. No sentido inverso, o vizinho caribenho exportou US$ 829 milhões para o mercado brasileiro. A corrente bilateral foi intensificada após a assinatura de acordo entre o Mercosul e a Comunidade Andina (CAN), em 2003.

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias