Lula afirma que seletividade dos bancos eleva spread bancário - CIESP

Lula afirma que seletividade dos bancos eleva spread bancário






Foto: Vitor Salgado

Lula – Bancos públicos são “segurança” do País para minimizar efeitos da crise


Como consequência da paralisação do sistema financeiro internacional afetado pela crise, o aumento da demanda por crédito no mercado interno – impulsionado por empresas que antes recorriam a instituições no exterior para financiar suas operações – faz os bancos brasileiros tornarem ainda mais rigorosos os critérios para conceder empréstimo e eleva o custo dos recursos disponíveis.

A avaliação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nesta segunda-feira (2) esteve na sede da Fiesp/Ciesp, onde se encontrou com o primeiro-ministro dos Países Baixos, Jan Peter Balkenende.

“Pelo fato de 30% do crédito de fora [grande empresas tomadoras de empréstimo, como a Petrobras] ter vindo buscar solução no mercado interno, estamos hoje com um processo de maior seletividade dos bancos brasileiros. O spread bancário ficou muito mais caro e muito mais seletivo”, avaliou Lula.

Ele reconheceu que o aumento da diferença entre o valor emprestado e os juros cobrados (spread) “é um problema que temos que resolver”. “Somente o crédito é capaz de reativar a pequena e média empresa brasileira, permitir o acesso a capital de giro, manter a agricultura com a qualidade produtiva dos últimos anos e, ao mesmo tempo, manter as grandes indústrias produzindo, sobretudo a do setor automobilístico”, acrescentou.

Segurança
O Presidente considerou que o País “não está livre da crise” e que “a diferença é que, enquanto alguns países entrarão em recessão, o Brasil sofrerá desaceleração do crescimento”.

Lula destacou as ações do governo federal para minimizar os efeitos da diminuição da oferta de dinheiro por bancos privados. “Tentamos resolver a falta de crédito colocando US$ 36 bilhões de nossas reservas à disposição das empresas e também das que tinham contas em dólar para pagar”, frisou.

Em sua opinião, a solidez do sistema bancário nacional e a forte presença de bancos públicos colocam o Brasil em posição de destaque ante a turbulência financeira global.

“Temos a solidez de um sistema financeiro calçado em bancos públicos. O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], o Banco do Brasil e a Caixa [Econômica Federal] representam quase 50% de todo o crédito do País. Isso representa uma segurança que nos permite olhar para o resto do mundo e dizer que aqui estamos mais seguros”, analisou.


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Nivaldo Souza, Agência Ciesp de Notícias