José Alencar e Paulo Skaf cobram de Guido Mantega redução de juros para evitar desemprego - CIESP

José Alencar e Paulo Skaf cobram de Guido Mantega redução de juros para evitar desemprego

 

Para evitar a diminuição de postos de trabalho e o alastramento da crise financeira no Brasil, o corte nas taxas de juros cobradas por bancos nacionais no repasse de crédito as empresas é urgente. A ação foi defendida nesta sexta-feira (5) pelo Vice-presidente da República, José Alencar, e pelo presidente do Centro e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp/Fiesp), Paulo Skaf, durante reunião com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
 
“É preciso que a produção possa remunerar com vantagem os custos de capital. Do contrário, estaremos desencorajando investimentos e inibindo o consumo”, afirmou José Alencar.
 
Para o presidente do Ciesp/Fiesp, o governo precisa se antecipar ao agravamento da crise. “O problema número um é a falta de crédito e a alta no custo do crédito. É um absurdo que, com uma inflação entre 6% e 6,5%, as empresas tenham de tomar capital de giro a 50% de juros ao ano”, analisou Skaf.
 
A reunião contou também com a participação de membros do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, órgão formado por alguns dos principais empresários do País. Entre os executivos estiveram: Benjamin Steinbruch, da CSN e vice-presidente da Fiesp; Cledorvino Belini, da Fiat; Frederico Curado, da Embraer; Victorio Carlos de Marchi, da Ambev; Marcelo Odebrecht, da Construtora Odebrecht; José Roberto Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim; Ivan Zurita, da Nestlé; Constantino de Oliveira Júnior, da Gol Linhas Aéreas; entre outros.
 
Evitar demissões
O Vice-presidente José Alencar disse que a não redução de juros vai na contramão da iniciativa do próprio governo de incentivar o consumo para impedir a desaceleração da economia. “Pode haver certa incongruência em o presidente [Lula], preocupado em fomentar investimento, pedir que as pessoas comprem para evitar o desemprego e, paralelamente, praticarmos uma taxa básica de juros que é o contrário disso”, destacou.
 
Alencar criticou a manutenção da Selic em 13,75%, cujas reduções moderadas foram classificadas por ele como “lero-lero meramente técnico”, e considerou um “despropósito” o Banco Central se concentrar em inibir o consumo. “A inflação brasileira não é de consumo, é de custo. Não tem sentido aplicar um instrumento de política monetária para combater uma inflação que não existe”, argumentou o Vice-presidente, indicando os recentes cortes de juros nos Estados Unidos e na Inglaterra como exemplos a serem seguidos.
 
Na avaliação de Paulo Skaf, o governo deve focar em evitar que o País entre em um “ciclo vicioso” de aumento de demissões e diminuição do consumo. “O principal problema é o desemprego. Por uma questão humana, nada mais importante para um cidadão do que ter a oportunidade de trabalhar. Segundo, óbvio, uma pessoa sem trabalho não consome e, não havendo consumo, não se produz, o que gera mais desemprego”, considerou.
 
Como medidas de caráter emergencial, o presidente do Ciesp e da Fiesp sugeriu:
 
– Cortar a taxa de juros;
– Reduzir spread bancário cobrado em empréstimos;
– Aumentar o volume de recursos para financiamentos concedidos por bancos privados;
– Coibir a importação predatória de produtos manufaturados com similares no Brasil, como roupas e calçados, que competem com o nacional e reduzem postos de trabalho.
 
Skaf solicitou ao ministro Guido Mantega e ao Vice-presidente José Alencar agilidade em efetivar soluções para frear o agravamento da turbulência financeira global no País. “Se ficarmos como se nada de extraordinário estivesse acontecendo, estaremos mais expostos a essa crise”, indicou.
 
 
Nivaldo Souza
Agência Ciesp de Notícias
05/12/2008