Interior reivindica terminais ferroviários para alavancar economia - CIESP

Interior reivindica terminais ferroviários para alavancar economia

 

Piracicaba, Sorocaba e Vale do Ribeira querem que concessionárias invistam em ramais até o Porto de Santos
 
A instalação de novos ramais ferroviários no interior do estado de São Paulo pode potencializar a economia paulista, solucionando deficiência na infra-estrutura logística. Este foi o argumento de reivindicação realizada por representantes dos setores público e privado de Piracicaba, Sorocaba e Vale do Ribeira, durante o 6° Seminário Sobre Ferrovias, organizado por Ciesp e Fiesp nesta quarta-feira (26), na capital.
 
O acréscimo de novos terminais interligados ao sistema que leva ao complexo portuário da Baixada Santista foi apontado como a melhor solução para o escoamento de produtos paulistas para o mercado internacional.
 
Cajati: trem vira sucata
Com um canal ferroviário de 220 km de extensão que liga Vale do Ribeira ao Porto de Santos paralisado, o município de Cajati assiste ao sucateamento do sistema de transporte sobre trilhos numa das regiões do estado mais carentes de infra-estrutura.
 
“Nossa grande corrida é evitar a depredação do patrimônio que foi construído em décadas”, afirmou o representante da Pirâmide Mineração, Daniel Debiazzi Neto, integrante do Grupo Empresarial Pró-Reativação do Ramal de Cajati.
 
O grupo mobiliza-se para que a América Latina Logística (ALL) reassuma o terminal, cujas operações foram encerradas em 2003.
 
Segundo o representante da ALL, Pedro Pedreiro, a reativação depende de “confiabilidade operacional”, ou seja, garantia de que haverá carga.

O executivo argumenta que para “atrair o apetite do investidor” é preciso demanda permanente. A empresa propôs investir R$ 313 milhões na reativação, mas o Grupo Empresarial diz que seriam necessários R$ 600 milhões.

 
Em 2008, as exportações do Vale do Ribeira cresceram 135%, atingindo US$ 40 milhões – segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Levantamento feito pelo Grupo Empresarial aponta que o volume de carga transportada por caminhões hoje é de 2,2 milhões de toneladas/ano, podendo somar mais 500 mil toneladas nos próximos anos.
 
Debiazzi argumenta que a região é a maior produtora de fosfato para ração animal do país; único pólo nacional de produção de fósforo para consumo humano em produtos alimentícios; um dos principais fornecedores da cadeia de construção civil (areia, brita, cimento, gesso); responsável por 30% da produção brasileira de banana (70% da paulista) e com potencial para o turismo ecológico.
 
O representante do grupo Pró-Reativação de Cajati garante que o cenário é positivo para o terminal voltar a operar, e integrar o projeto que cria o Centro Logístico Integrado no Vale do Ribeira. A iniciativa pretende interligar a Rodovia Regis Bittencourt (BR-116) a uma hidrovia no Rio Ribeira, e ao Porto de Santos via ferrovia.
 
Piracicaba: Cosan oferece terreno
Em Piracicaba, a Cosan desembolsou R$ 4 milhões em 2007 para recuperar seu terminal de transbordo rodo-ferroviário. Com o investimento, a participação dos trens no escoamento de açúcar e álcool do grupo saltou de 9% em 2006 para 20% em 2008.
 
“Temos sido sensíveis às dificuldades das transportadoras e oferecido soluções para a redução de custos em logística”, afirmou o diretor de logística integrada da empresa, Carlos Martins.
 
A Cosan adotou um sistema intermodal próprio (trens e caminhões). É co-proprietária do Terminal Exportador de Álcool de Santos (Teas), o primeiro entreposto portuário dedicado ao etanol da região Centro-Sul do país, com capacidade de armazenar até 40 mil m³.
 
A empresa está disposta a ceder terreno para que um terminal ferroviário seja construído para percorrer os 233 km que separam Piracicaba do Porto de Santos, garantindo que 9 de suas 18 usinas, num raio de 100 km do canal, produzem 1.266 mil toneladas de álcool.
 
“O desafio do terminal de Piracicaba é viabilizar os recursos. Existe carga para transportar”, garantiu Martins. Ele reivindicou o direito de livre passagem para locomotivas de empresas por trechos em que as concessionárias não têm interesse de operar.
 
Sorocaba: intermodal é prioridade
De acordo com o secretário de desenvolvimento econômico de Sorocaba, Daniel Jesus Leite, a região transporta 12 mil toneladas em aproximadamente 5.600 contêineres manipulados na Estação Aduaneira do Interior (EADI) – armazém com 27 docas distribuídas em 27 mil m² de área.
 
“A demanda que temos justifica um terminal ferroviário com custo acessível. Nos próximos anos haverá um aumento natural na demanda”, afirmou o secretário. Segundo ele, a região pode atingir volume de 50 mil toneladas/ano.
 
O secretário indica como prioritária a ligação intermodal de novo terminal ferroviário com a Raposo Tavares (7km de extensão) e a Castelo Branco (12km). Ele estima que a interligação retiraria até sete mil caminhões de circulação no perímetro portuário santista.
 
A indústria sorocabana é vigorosa, emprega 2% da mão-de-obra do segmento no estado, cerca de 50 mil trabalhadores.

Edital para concessão do trem de alta velocidade entre Rio-SP-Campinas será lançado no 1º semestre de 2009

 
Nivaldo Souza
Agência Ciesp de Notícias
26/11/2008