Inovação tecnológica é peça chave do desenvolvimento sustentável, dizem especialistas - CIESP

Inovação tecnológica é peça chave do desenvolvimento sustentável, dizem especialistas

 
Conjugação de forças é essencial para garantir exploração racional dos recursos naturais. Micro e pequenas empresas precisam de incentivo para adotar sustentabilidade
 
A articulação entre poder público, iniciativa privada e comunidade científica é crucial para que a inovação tecnológica subsidie o crescimento econômico do Brasil ante os problemas ambientais colocados pelo aquecimento global. Esta foi a conclusão a que chegaram os debatedores da mesa-redonda Instrumentos de Apoio à Produção Sustentável, realizada na quarta-feira (4), no âmbito da Semana Fiesp-Ciesp de Meio Ambiente 2008. Para o ex-presidente da Academia Brasileira de Ciências, Eduardo Moacyr Krieger, esse trio tem que trabalhar junto quando se trata de problemas de desenvolvimento, que hoje estão baseados em aplicação de conhecimento e inovação. “É isto que faz um país moderno, ou seja, a excelência de interação entre as diferentes partes do sistema de tecnologia”, afirmou.
 
Na avaliação do diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, a prosperidade econômica é desafiada pelo efeito estufa, que ameaça a todos sem exceção. Para ele, os recursos financeiros do Estado, a avaliação criteriosa da academia e senso prático da indústria serão vitais para a exploração racional dos recursos naturais em benefício da sociedade. “O grande tema para indústria é como ela vai ser competitiva para enfrentar os efeitos da globalização. Nesse aspecto, é fundamental a discussão da inovação, pois a prática do conhecimento é o que vai fazer a diferença daqui para frente. Dentro dessa questão entra a sustentabilidade, ou seja, inovar com qualidade. Queremos prosperidade econômica, desenvolvimento social e preservação do meio ambiente. Quem vai fazer essa combinação vai ser a inovação”, avaliou.
 
No mesmo sentido, o diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, destacou a importância do suporte científico para que o país defenda seus interesses – a exemplo do que vem acontecendo com o etanol. “Muitas vezes fazemos bastante coisa, mas outros países são mais rápidos do que a gente [na divulgação]”, criticou.
 
No âmbito dos programas Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), Coelho disse que o setor industrial tem três objetivos: reduzir as emissões de gás carbônico, responsável por 66% do efeito estufa; produção agrosilvopastorial sustentável (compensação do gás metano emitido); melhor desempenho energético e ambiental dos setores produtivo e infra-estrutura. “Em termos de vantagens comparativas dos projetos ambientais, o Brasil tem condições de ser mais competitivo e de avançar em velocidade maior”, assegurou.
 
Já o diretor da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), Olívio Ávila, observou que a difusão da cultura da sustentabilidade entre as empresas pequenas depende do auxilio do Estado, por meio de incentivos para exportação de produtos com maior valor agregado. “É preciso ter direção nas políticas públicas e isso depende da capacidade do governo de aumentar a inovação tecnológica das micro e pequenas empresas”, disse.
 
Agência Ciesp de Notícias
Nivaldo Souza
09/06/2008