Indústrias têxtil e automotiva indicam recuperação da atividade em fevereiro - CIESP

Indústrias têxtil e automotiva indicam recuperação da atividade em fevereiro

O segmento de produtos têxteis teve uma recuperação expressiva no Indicador de Nível de Atividade (INA) do mês de fevereiro, divulgado nesta quinta-feira (26) pelo Ciesp e a Fiesp.

A variação foi positiva em 26,4% que, com ajuste sazonal, ficou em 4,2%. Todos os números do setor foram melhores que o total da indústria. Levando em consideração a média do INA, as quedas em relação a 2008 foram atenuadas: -10,5% ante fevereiro passado, e -12,4% na comparação do primeiro bimestre.

“Os setores estão entrando na crise em períodos distintos. O têxtil funciona com renda, onde ainda não houve grande redução. Se não houver variação na capacidade de consumo, o setor garante sua atividade continuada”, explicou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp.

Em veículos automotores, apesar do patamar mais baixo de atividade, o mês de fevereiro representou uma “recuperação bastante razoável”, na avaliação de Francini. O crescimento foi de 6,7% em termos ajustados, grande parte em função da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), associado à liberação de linhas de crédito para compra de veículos.

“Houve uma recuperação das vendas, e uma reversão da curva que o setor vinha percorrendo. Mas o incentivo com a redução do IPI deve cessar no final de março, e ainda não se sabe se continua”, disse o diretor do Depecon.

Construção
Já o setor de minerais não metálicos, ligado à construção civil, mesmo com comportamento melhor que o total da indústria, já sofre os efeitos da crise financeira. “As obras continuam, mas não com mesmo ritmo, velocidade e apetite por materiais como antes”, observou Francini.

O resultado do mês, com ajuste sazonal, contabilizou queda de 1,9%. O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) do setor também ficou abaixo da média, em 75,8%.

Francini considerou “meritório” o programa de habitação anunciado nesta quarta-feira pelo governo federal, que prevê investimentos de R$ 34 bilhões para a construção de um milhão de moradias. Segundo ele, o programa vai estimular a absorção de mão-de-obra na cadeia da construção civil, que tem impacto muito forte sobre o emprego, e ajudará a reduzir em 13% o déficit habitacional no país, de 8 milhões de unidades.

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias