Indústria paulista mantém retomada em dezembro - CIESP

Indústria paulista mantém retomada em dezembro

A indústria paulista de transformação continuou a trajetória de retomada do nível de emprego no último mês de 2009. O índice com ajuste sazonal subiu 0,31% e sustentou a taxa de crescimento de 0,5% ao mês, média do último trimestre do ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (19) pelo Ciesp e a Fiesp.


Sem ajuste, houve baixa de 3% em dezembro, ou 67 mil empregos perdidos – natural para o período, devido à sazonalidade do setor sucroalcooleiro, com o fim da colheita no campo. O resultado é semelhante ao obtido no último mês de 2007 (-3,25%), ano em que o emprego industrial cresceu 4,57%.


Em 2009, porém, carregando os efeitos da crise financeira, a indústria fechou 98 mil vagas – queda de 4,32% em relação ao ano anterior.


“A perda ocorrida em dezembro é normal para o mês, já isento de crise. Em 2010, para não dizer céu de brigadeiro, não vemos ameaças de nuvens no nosso horizonte”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Ciesp/Fiesp.


Nível pré-crise
As entidades apostam em um desempenho positivo da economia brasileira em 2010: PIB em 6%, com uma taxa de crescimento trimestral de 1,4%; nível de atividade da indústria paulista em 12% – em compensação à forte queda ocorrida em 2009, que deverá ficar entre 7% e 8%.

“Apostamos no crescimento da demanda, que se apoiará no crescimento da renda, e na recuperação do crédito e dos bens de capital. O empresário tem faro sensível para a demanda futura”, sublinhou Francini.


Segundo o diretor, a atividade industrial em São Paulo só retomará o nível pré-crise no início do segundo trimestre. Já a projeção de recuperação do emprego é mais tardia, e deve se estender para o começo de 2011.


“Apesar de esperarmos um crescimento de 6,3% para o emprego [na indústria paulista] neste ano, ele não será suficiente para cobrir a perda de mais de 7% que contabilizamos desde o início da crise, em outubro de 2008”, apontou Francini. “Além disso, os empregos não voltarão em número igual aos que existiam anteriormente”, acrescentou.


Indicadores setoriais
Em dezembro, 16 atividades industriais tiveram desempenho negativo no índice de emprego, quatro registraram saldo positivo e duas ficaram estáveis. Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (4,1%), produtos de minerais não-metálicos e produtos de madeira, ambos com alta de 0,2%, apareceram no topo do ranking mensal.

Já os setores ligados à produção de açúcar e álcool vieram nos últimos lugares: coque, petróleo e biocombustíveis (-22,2%) e produtos alimentícios (-16,1%), seguidos de couro, artigos de viagem e calçados (-4,5%). O setor alimentício, principalmente a produção de açúcar, foi responsável pela perda de 51 mil vagas no mês.


No ano, foram cinco os setores que conseguiram neutralizar os efeitos da crise no saldo de empregos: vestuário e acessórios (1,5%), produtos diversos (1,3%), produtos alimentícios (0,7%), coque, petróleo e biocombustíveis (0,7%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (0,6%). A pior variação (-22,5%) ocorreu no setor de outros equipamentos de transporte, que engloba a indústria aeronáutica.

Regiões
Das 36 Diretorias Regionais do Ciesp pesquisadas, 27 apresentaram desempenho negativo no mês, cinco tiveram comportamento positivo e quatro ficaram estáveis no mês de dezembro. A Grande São Paulo contabilizou menor perda (-0,80%) em relação às indústrias do Interior, cuja variação atingiu -4,73%.

– Jundiaí liderou as contratações no mês, com crescimento de 0,58%, influenciado por veículos automotores (5,61%) e produtos alimentícios (1,56%);
– Bauru aparece na sequência, com alta de 0,49% no mês, puxada por produtos alimentícios (6,63%) e máquinas e equipamentos (1,86%);
– Em terceiro lugar, Santo André, com expansão de 0,32%, devido à geração de empregos nos setores de borracha e plástico (1,71%) e metalurgia (1,16%).

O nível de emprego industrial teve queda mais expressiva nas regiões de Sertãozinho (-18,61%), Jaú (-13,98%) e Araçatuba (-10,58%), todas ligadas à baixa sazonal no setor sucroalcooleiro.

Poucas regiões conseguiram fechar o ano de 2009 com saldo positivo. Entre as variações mais expressivas aparecem Matão (12,1%), devido à produção de suco de laranja, e Araraquara (10,3%), Rio Claro (9,5%) e Presidente Prudente (7,5%), influenciadas pela produção de açúcar e álcool.


Nas últimas posições do ranking anual estão as regiões de São José dos Campos (-11,9%), Mogi das Cruzes (-11,8%) e São José do Rio Preto (-10,4%).


Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias