Indústria paulista fecha 43 mil vagas em fevereiro - CIESP

Indústria paulista fecha 43 mil vagas em fevereiro

A indústria paulista de transformação perdeu 43 mil vagas no mês de fevereiro, com variação negativa de 1,8% em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Na apuração dessazonalizada a baixa foi de 2,09%, e ambas as variações indicam a maior queda registrada para meses de fevereiro em toda a série da pesquisa.

“Desde 1995, nunca houve queda com esta expressão, lembrando que a crise também é a maior da série”, afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades.

No ano, o setor já acumula 74 mil demissões (-3,05%). Em relação a fevereiro de 2008, foram fechados 112.500 postos de trabalho, com variação negativa de 4,57%.

Dimensão da crise
No acumulado de outubro a fevereiro deste ano, foram perdidos 236.500 empregos no setor industrial paulista – em igual período de 2007 e 2008, as baixas foram de 35.500 e 38.000 vagas, respectivamente, consideradas normais em função da sazonalidade do mês de dezembro.

“Por efeito das condições particulares da crise financeira, que vivemos deste outubro do ano passado, a indústria perdeu adicionalmente cerca de 200 mil postos de trabalho comparativamente aos anos anteriores”, destacou Francini.

O adicional de 200 mil postos de trabalho cortados no período de cinco meses representa uma queda de 8,5% em relação ao total de empregos industriais no estado de São Paulo, que é de aproximadamente 2,35 milhões. “Em cinco meses, tivemos uma queda maior do que o maior aumento já registrado no nível de emprego em 12 meses, que foi de 7% em 2004, com geração de 145 mil vagas”, comparou.

Setores
Em fevereiro, vinte segmentos da indústria tiveram saldo negativo de vagas, e apenas dois deles mais contrataram do que demitiram. As atividades que mais fecharam postos foram:

– Outros Equipamentos de Transporte, exceto Veículos Automotores (-18,4%);
– Máquinas e Equipamentos (-3,5%);
– Metalurgia (-3%).

O segmento de Outros Equipamentos de Transporte, que inclui as indústrias aeronáutica e ferroviária, foi o maior responsável pelas demissões no estado paulista em fevereiro. Das 43 mil vagas perdidas, cerca de 9,5 mil (22%) vieram deste setor.

Apenas os setores de Couros, Artigos de Viagem e Calçados (0,6%) e de Produtos Diversos (0,2%) tiveram saldo positivo de empregos em fevereiro.

Regiões
As demissões na indústria continuam a impactar mais fortemente o interior paulista, cujo índice isolado apontou queda de 1,86%. Já a Grande São Paulo teve recuo ligeiramente menor no número de vagas, de 1,66%.

Entre as 36 diretorias do Ciesp no estado que compõem o levantamento, lideram as contratações:

– Jaú (0,71%), com forte alta nos setores de Coque, Petróleo e Biocombustíveis (83,88%) e Minerais não Metálicos (22,93%);
– Araraquara (0,37%), puxada por Produtos Alimentares (2,79%) e Vestuário, Confecções e Acessórios (0,68%);
– Jacareí (0,28%), com destaque para Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (6,72%) e Produtos Têxteis (0,50%).

As regiões que encabeçaram as demissões no estado foram:

– São José dos Campos (-7,48%), influenciada por Outros Equipamentos de Transporte (-20,36%) e Borracha e Plástico (-3,19%);
– Matão (-4,48%), com destaque para Produtos Alimentares (-7,31%) e Produtos de Metal (-5,07%);
– Piracicaba (-3,77%), puxada por Veículos Automotores (-15,20%) e Produtos Diversos (-11,22%).

> Veja relatório regional

Perspectiva
Também divulgado nesta quinta-feira, o Sensor da primeira quinzena de março indicou boa sensação dos agentes sobre a maneira como enxergam a evolução da crise, segundo Paulo Francini. A interpretação é de que a atividade industrial parou de cair, o que não significa retomada. O indicador antecedente subiu para 50,2 pontos, ante 42,3 na segunda quinzena de fevereiro.

Todas as variáveis registraram maior pontuação em relação à apuração anterior, e ficaram mais próximas da neutralidade (50). Os itens mercado (58,9) e vendas (54,6) sinalizam melhora diante dos resultados anteriores (49,9 e 41,7, respectivamente), mas o estoque ainda se mostra excessivo (40,6 pontos).

Emprego (47,7) e investimentos (48,4) também indicaram que os agentes já não enxergam a mesma força de queda dos meses anteriores. “Se o resultado se repetir na segunda quinzena deste mês, teremos em março uma menor redução do nível de emprego do que tivemos em janeiro e fevereiro”, projetou Francini.

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias