Indústria paulista fecha 130 mil postos de trabalho em dezembro - CIESP

Indústria paulista fecha 130 mil postos de trabalho em dezembro

A perda de empregos na indústria paulista de transformação foi recorde em dezembro do ano passado. Houve corte de 130 mil vagas em relação a novembro (-5,64%), o pior número desde 1994, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (26) pelo Centro e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Com ajuste sazonal, a queda foi de 2,72% no mês.

A indústria terminou o ano de 2008 com 7 mil vagas a menos no estado de São Paulo, ou variação negativa de 0,27% em relação ao ano anterior. “Nossa expectativa foi frustrada”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp e da Fiesp, em referência à projeção de crescimento feita no ano passado, em torno de 2%.


Segundo ele, uma das características da crise financeira mundial em que o Brasil está envolvido é a extrema velocidade das mudanças. “A perda de emprego, pelo menos de forma ampla, não era esperada. A violência da crise fez com que perdêssemos, em três meses, tudo aquilo que ganhamos no restante do ano – o que há muito tempo não ocorria”, avaliou Francini.

 

Corte prematuro

Para o diretor das entidades, a “atitude de se proteger” – tanto dos consumidores quanto dos empresários, que não assumem compromissos diante do temor da economia em crise – tem relação direta com o corte de vagas.

 

“O emprego caiu prematuramente. A empresa, na dúvida do que pode ocorrer, não costuma tomar atitude imediata quanto às vagas, pois existe um ônus quando se perde trabalhadores. O rompimento desta premissa deve-se à percepção da própria empresa, que não tem dúvida de que o futuro será pior que o presente”, sublinhou Paulo Francini.

 

O temor dos empresários pôde ser constatado também pelo Sensor da primeira quinzena de janeiro – pesquisa que captura a percepção das empresas quanto ao ambiente de negócios dentro do próprio mês de coleta dos dados.

 

Todas as cinco variáveis (mercado, vendas, estoque, emprego e investimentos) ficaram abaixo de 50, valor que indica neutralidade. A média do Sensor ficou em 43,5 – uma perspectiva de queda mais atenuada, diante dos resultados obtidos na primeira e na segunda quinzenas de dezembro, 34 e 35,1, respectivamente. “Mas nosso farol de alerta indica que o emprego vai continuar caindo”, frisou Francini.

 

Setores

O principal segmento responsável pelas demissões foi o sucroalcooleiro, que fechou cerca de 80 mil vagas em dezembro, e mais de 4 mil durante o ano. “Dezembro marca o fim da safra do setor, e portanto a demissão dos trabalhadores sazonais. Além disso, as empresas passam por um momento delicado em relação ao preço dos bens produzidos: pela expectativa do preço da gasolina, no caso do álcool; e pelo valor das commodities no mercado internacional, no caso do açúcar”, explicou o diretor do Depecon.

 

Os dados, no entanto, mostram que a crise não é setorizada. As demissões que geralmente ocorrem no final do ano, devido ao esvaziamento do campo para plantio e corte de cana, ocorreram com muito mais ímpeto em 2008. Pela primeira vez desde 2006, todos os segmentos pesquisados (21) tiveram desempenho negativo em dezembro.

 

O setor de Equipamentos de Informática liderou as demissões no mês (-29,5%), seguido de Coque, Refino de Petróleo, Combustíveis Nucleares e Álcool (-24,9%), Alimentos e Bebidas (-20,5%) e Artigos de Couro, Viagem e Calçados (-9,8%).

 

No ano, apenas nove foram positivos e um apresentou estabilidade. Apesar da queda expressiva no último mês, Informática liderou as contratações em 2008 (11,5%). O setor de Artigos de Couro, Viagem e Calçados ficou com o pior desempenho, com redução de 18,4% no ano.

 

Regiões

Também as 36 Diretorias Regionais do Ciesp que fazem parte da pesquisa tiveram resultados negativos em dezembro:


– Araçatuba teve o pior desempenho (-16%), concentrado nos setores de Álcool e Refino de Petróleo (-29,3%) e Produtos Alimentares (-26,9%);


– Franca ocupou o segundo lugar em demissões (-15,9%), principalmente nos segmentos de Produtos Alimentares (-31,6%) e Artigos de Borracha (-20,7%);


– São Carlos apresentou o terceiro pior resultado (-9,9%), influenciado pela queda em Produtos Alimentares (-44,1%) e Máquinas e Equipamentos (-5,2%).

Veja o estudo completo
> Relatório Regional

Veja a pesquisa Sensor
 

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias