Indústria paulista fecha 10 mil postos de trabalho em outubro - CIESP

Indústria paulista fecha 10 mil postos de trabalho em outubro

A indústria paulista de transformação fechou o mês de outubro com queda de 0,13% nas contratações, com ajuste sazonal. O resultado representa o fechamento de 10 mil postos de trabalho, segundo pesquisa divulgada hoje (13) pelo Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp).

 
Na série dessazonalizada do índice, houve retração de 0,41% – o pior resultado para o mês desde 2003 (-0,63%). Todos os outros resultados de outubro foram positivos: 0,44% em 2004; 0,14% em 2005; 0,28% em 2006 e 0,41% em 2007.
 
“A variação do emprego no mês não foi numericamente tão importante. O que realmente importou foi a alteração de padrão. Houve uma inflexão na curva de crescimento, e de repente a tendência se alterou”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp. Segundo ele, a comparação dos últimos doze meses com o período imediatamente anterior já indicou nova configuração e o início de uma trajetória de queda para os próximos meses.
 
No acumulado do ano, a indústria de transformação em São Paulo gerou 159 mil vagas, com variação de 7,28%. No acumulado de 12 meses, que vinha no patamar de 4,5% até o mês anterior, a expansão foi de 3,6%, o que representa 82 mil postos de trabalho criados.
 
O setor de Açúcar e Álcool teve variação negativa de 0,01%, e foi responsável pelo fechamento de 240 vagas em outubro. Já os outros setores foram responsáveis pela queda de 0,40% no índice e o encerramento de 9.760 vagas. “O desempenho de outubro ainda não capturou a redução que vai existir no setor sucroalcooleiro, que normalmente ocorre nos dois últimos meses do ano. Houve uma antecipação do resultado negativo neste ano”, informou Francini.
 
O emprego e a crise
Segundo Paulo Francini, o resultado negativo do nível de emprego em outubro – que não acontecia há cinco anos – é traduzido pela perspectiva das empresas de produzir menos. “Muitos setores têm dúvidas com relação aos próximos meses. A redução do emprego não está ligada à redução efetiva da atividade industrial, mas à expectativa sobre o desempenho futuro da economia”, avaliou.
 
Para o diretor do Depecon, a crise financeira mundial pode não ter chegado tão forte no Brasil, mas a confiança da sociedade foi afetada, daí a atitude de precaução que reflete na atividade e na geração de empregos na indústria.
 
“O que move a economia são as decisões de indivíduos carregados de maior ou menor confiança. A percepção é de que o mundo está em crise, e isso determina as ações dos empresários”, explicou. “O crédito é baseado numa crença de futuro, portanto, a atitude que temos visto é de cautela e receio do que se vai encontrar pela frente”, complementou o diretor, em uma referência à falta de liquidez dos bancos que atinge o mercado brasileiro.
 
Francini ainda considerou que os meses de novembro e dezembro serão piores nos índices, mas não devem afetar o resultado de 2008, que foi a maior parte positivo. “Para 2009, evidentemente o nível será mais baixo do que neste ano, mas não há base para fazer projeções sólidas enquanto o novo patamar não se consolidar. A velocidade das mudanças é muito grande”, avaliou.
 
Indicadores setoriais
Das 21 atividades industriais que compõem a amostra da pesquisa, 10 tiveram desempenho negativo, seis registraram estabilidade nas contratações em setembro e cinco apresentaram desempenho positivo. O principal destaque positivo foi o segmento de Máquinas, Escritório e Equipamentos de Informática (1,00%). Na seqüência, Equipamento de Instrumentação Médico Hospitalares (0,39%) e Produtos de Metal – Exceto Máquinas e Equipamentos (0,38%).
 
As variações negativas mais expressivas vieram dos setores de Couros e Artefatos de Couro, Artigos de Viagem e Calçados (-4,09%), Móveis e Indústrias Diversas (-3,10%) e Confecções de Artigos Vestuário (-1,07%).
 
Regiões
Das 36 Diretorias Regionais do Ciesp pesquisadas, 17 registraram bom desempenho no mês, 13 tiveram queda e seis ficaram estáveis. Matão liderou as contratações, com crescimento de 2,08% – influenciado por Metalúrgica (10,17%), e Produtos Alimentares (3,38%).
 
Rio Claro foi a segunda região em que o emprego mais cresceu em outubro, com alta de 1,81%, puxada pelos setores de Minerais não Metálicos (4,73%) e Produtos Alimentares (3,52%). Em terceiro lugar, Botucatu, com expansão de 1,17% na geração de empregos na Confecções e Artigos de Vestuário (6,55%), e Material de Transporte (0,32%).
 
O nível de emprego industrial teve queda mais expressiva nas regiões de Franca (-2,71%), puxada pelos setores de Couro e Artigos de Viagem (-10,61%), e Calçados (-2,82%); Jaú, com queda de (-1,41%), afetada pelos setores de Couro e Artigos de Viagem, (-4,17%) e Calçados (-3,44%), e São Carlos com (-1,36%), influenciada por Máquinas e Equipamentos (-4,30%) e Indústria Diversas (-1,85%).

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Mariana Ribeiro
Agência Ciesp de Notícias
13/11/2008