Indústria paulista cria 11 mil vagas em setembro - CIESP

Indústria paulista cria 11 mil vagas em setembro

A indústria paulista de transformação fechou o mês de setembro com geração de 11 mil postos de trabalho, ou variação de 0,48% ante agosto, segundo pesquisa divulgada hoje (16) pelo Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp). Em termos ajustados, houve aumento de 0,26%.

 
“O nível de emprego mostra que continua sadio e íntegro. E isso é importante porque mantém a massa salarial, que influencia o consumo e puxa a atividade industrial”, afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp. “Esta é uma cadeia que, quando começa a se quebrar, gera um ciclo ‘desvirtuoso’. Até agora, estamos nos agüentando”, reforçou.
 
Francini explicou que o emprego na indústria de transformação é conseqüência da atividade do setor, que, em seu último resultado divulgado em agosto, não deu sinais de recuo. “Era de se esperar a manutenção do crescimento. O número de vagas não está relacionado à crise, mas é uma resposta à atividade ocorrida há quatro meses”, pontuou.
 
Segundo ele, esta defasagem ocorre porque, em resposta a uma eventual acomodação da produção, a redução do quadro de empregados seria o último passo, depois do corte de horas extras e férias.

O setor de açúcar e álcool apresentou variação negativa de 0,07% em setembro e foi responsável pelo fechamento de 1.643 vagas. Já os outros setores tiveram crescimento de 0,55% no mês. No acumulado do ano a variação é de 7,65%, o que corresponde a 167 mil vagas geradas pela indústria. Em doze meses encerrados em setembro, o incremento é de 4,36%, ou 98 mil postos.

Indicadores setoriais
Das 21 atividades industriais que compõem a amostra da pesquisa, 13 tiveram desempenho positivo, quatro apresentaram queda e quatro registraram estabilidade nas contratações em setembro.

O principal destaque positivo foi o segmento de Máquinas, Escritório e Equipamentos de Informática (5,54%). Na seqüência, Borracha e Plástico (1,79%) e Material Eletrônico e Aparelhos e Equipamentos de Comunicações (1,74%).

As variações negativas mais expressivas vieram dos setores de Coque, Refino de Petróleo, Combustíveis Nucleares e Álcool (-1,96%), Couros e Artefatos de Couro, Artigos de Viagem e Calçados (-0,89%) e Alimentos e Bebidas (-0,31%).

Regiões

Das 36 Diretorias Regionais do Ciesp pesquisadas, 16 registraram bom desempenho no mês, 13 tiveram queda e sete ficaram estáveis.

Matão liderou as contratações, com crescimento de 2,06% – influenciado por Máquinas e Equipamentos (2,43%) e Produtos Alimentares (2,21%), especialmente pela produção de suco de laranja.

Marília foi a segunda região em que o emprego mais cresceu em setembro, com alta de 1,51%, puxada pelos setores de Produtos Têxteis (2,36%) e Produtos Alimentares (1,10%).

Em terceiro lugar, Santa Bárbara D’Oeste, com expansão de 1,46% na geração de empregos na indústria. O destaque foram os setores de Metalúrgica (2,67%) e Produtos Têxteis (1,07%).

O nível de emprego industrial teve queda mais expressiva nas regiões de Presidente Prudente (-2,56%), puxada por Confecções e Artigos do Vestuário (-3,70%) e Álcool e Refino de Petróleo (-3,57%); Osasco, com queda de 2,31%, influenciada por uma questão pontual no setor de Edição, Impressão e Reprodução de Gravações (-10,28%) e em Material Plástico (-0,88%); e Jaú (-1,22%), com queda de 6,98% em Couro e Artigos de Viagem e de 4,33% no setor de Calçados.

Veja a pesquisa completa
 

Projeções
A estimativa do Depecon para o fechamento do ano está entre 4% e 4,5% para o nível de emprego. Já o PIB de 2008 deve permanecer próximo de 5,4%, e o de 2009 ainda não foi recalculado pelas entidades. Na última projeção, era esperado um crescimento de 4,1% para o próximo ano, que deve ser revisado para baixo.
 
Segundo Paulo Francini, a crise financeira que já produziu efeitos sobre o sistema de crédito brasileiro ainda não se estabilizou, o que dificulta fazer qualquer tipo de prognóstico. “A crise vai durar um tempo razoável em suas conseqüências, certamente meses, e não sabemos onde o Brasil vai se situar”, disse.
 
Oxigenação
A respeito da crise global, o diretor considerou que o Brasil está “importando o efeito sem a causa”. “Uma crise que nasce no sistema financeiro atinge a confiabilidade do crédito. No Brasil, não tinha nada disso, pois o sistema está sadio, não há carteiras ruins, e a inadimplência está segura. Estamos criando internamente a nossa própria crise, e não merecemos passar por isso”, avaliou.
 
Para Francini, a liberação de valores adicionais do depósito compulsório dos bancos, uma das medidas tomadas pelo Banco Central para irrigar o mercado, deveria ser condicionada ao aumento da carteira de crédito para produzir efeitos na liquidez. “O oxigênio do crédito é vital para todas as empresas. Precisamos desintoxicar o sistema, pois não há economia que funcione sem crédito”, acrescentou.
 
Mariana Ribeiro
Agência Ciesp de Notícias
16/10/2008