Indústria paulista cresce um pouco, mas desempenho ainda é fraco - CIESP

Indústria paulista cresce um pouco, mas desempenho ainda é fraco

A constatação está baseada no resultado do Indicador de Nível de Atividade (INA), divulgado nesta terça-feira (30,) pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).

Em maio, o INA registrou crescimento significativo em relação ao mês anterior, com 0,9% ante 0,1% com ajuste sazonal. Mesmo assim, o desempenho continua fraco se comparado com o patamar registrado antes da crise econômica mundial. A variação sem ajuste (nominal) foi positiva em 6,9%. No acumulado do ano houve queda de 12,5%.

“O que se verifica é um crescimento modesto, sem previsão de tendência de recuperação ao patamar anterior à crise”, afirmou o diretor-titular do Departamento de Economia da Fiesp/Ciesp, Paulo Francini.

Segundo ele, maio é um mês de crescimento da atividade industrial. Entretanto, os resultados registrados no período de janeiro a maio deste ano, comparado ao mesmo período de anos anteriores, é o pior da série histórica desde 2003, com queda de 12,5%.

Variáveis
Entre os componentes do INA, destaque para o total de vendas reais, com aumento de 7% em maio sobre abril. No acumulado do ano, tiveram baixas expressivas o total de horas pagas (-6,9%), horas trabalhadas na produção (-9,0%) e horas médias trabalhadas (-6,5%).

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) atingiu 80,4% no mês sem ajuste sazonal, contra 83,6% em maio do ano passado. Com ajuste sazonal, o resultado do Nuci ficou praticamente estável em maio (79,5%), quando comparado com o mês anterior (79,4%).

Setores
Entre os setores analisados, destaque para o segmento de Produtos Químicos, Petroquímicos e Farmacêuticos, que teve alta de 2,3% com ajuste sazonal. No acumulado do ano, o setor ainda contabiliza queda de 7,8%. “Este comportamento está associado à questão de estoques. Os níveis estão sendo reduzidos, o que mostra recuperação”, avalia Francini.

O setor de Celulose, Papel e Produtos de Papel teve pequena elevação de 0,4% em maio com ajuste sazonal, ficando mais próximo da média do INA. O acumulado do ano apresenta alta de 1,2% na série dessazonalizada do indicador.

“Em São Paulo, este segmento apresenta resultado melhor do que no resto do País, justamente porque o Estado concentra indústria de papel, mais voltada para o mercado interno e pouco afetada pelo externo. Nos demais estados, o setor sofre por conta da queda nas exportações de celulose”, explicou. “Se for olhado no andamento da sua variação, o segmento tem apresentado razoável recuperação”, completou o diretor do Depecon.

Entre os setores que ainda sentem os efeitos da crise está o de Máquinas e Equipamentos, que continua com índice negativo de 4,2% em maio, com ajuste sazonal. Nos doze meses o resultado é de –11,2% sem ajuste. “O resultado não é uma surpresa. Este é um dos setores que continua percorrendo uma trajetória de queda”, acrescentou Francini.

Sensor
A pesquisa Sensor Fiesp, que mostra a intenção dos empresários paulistas em relação à atividade industrial, aponta para aumento gradual. O levantamento atingiu 51,6 pontos na segunda quinzena de junho, indicando ligeiro crescimento. Valores em torno de 50 pontos apontam estabilidade e abaixo, retração.

“Ele nos mostra que não existe tempestade à frente, mas também não vai ter aquele sol bonito”, ilustrou Francini. Segundo ele, a perspectiva é que ocorram variações positivas, semelhantes às últimas registradas.

Mesmo positivos, os itens Mercado (56,7), Vendas (53,1), Estoque (40,6) e Emprego (50,0) não sofreram variações e se mantiveram estáveis. Já o item Investimento apresentou considerável melhora, de 52,4 para 54,6 pontos.

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp