Indústria paulista corta 32,5 mil vagas em janeiro - CIESP

Indústria paulista corta 32,5 mil vagas em janeiro

A indústria paulista de transformação seguiu com demissões no primeiro mês do ano, com 32,5 mil empregos a menos em relação a dezembro de 2008, ou queda de 1,34%, segundo pesquisa da Fiesp e do Ciesp divulgada nesta sexta-feira (13). A variação em termos ajustados foi negativa em 1,86%, o que indica um mês de janeiro atípico em função da crise financeira.



“Inauguramos 2009 com perda de vagas em janeiro, diferentemente do que ocorreu em anos anteriores. Na pior das hipóteses, havia estabilidade no primeiro mês do ano”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp/Ciesp.

 


Segundo a pesquisa, este foi o pior janeiro da série histórica iniciada em 2005 – pela nova metodologia de apuração – e também desde 2002, período compreendido pela antiga série. “O mundo nunca assistiu a uma crise desta dimensão que vemos agora”, reforçou Francini. Em relação a janeiro de 2008, houve perda de 54,5 mil vagas (-2,22%).


 


Setores


Pela mudança de metodologia, que unificou a base de dados da Fiesp e do Ciesp, o levantamento passou a avaliar 22 setores industriais (em uma amostra ampliada de 3.039 empresas). Em janeiro, 19 deles mais demitiram do que contrataram, dois tiveram saldo positivo e um registrou estabilidade. As atividades que mais fecharam postos foram:


 


– Veículos Automotores, com queda de 3,3%;


– Coque, Petróleo e Biocombustíveis, também com 3,3% menos vagas;


– Vestuário (-2,7%).


 


Apenas os setores de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos e de Produtos Diversos tiveram saldo positivo de empregos, ambos com variação de 0,5%.


 


Regiões


As demissões na indústria têm impacto mais forte no interior paulista, cujo índice isolado apontou queda de 1,38%, em função da concentração do setor sucroalcooleiro nessas regiões – um dos responsáveis pelos cortes. Já a Grande São Paulo registrou queda ligeiramente menor, de 1,19%.


 


Entre as 36 diretorias do Ciesp no estado que compõem o levantamento, lideram as contratações:


 


– Araraquara (5,19%), com destaque para Produtos Alimentícios (14,69%) e Vestuário (5,88%);


– Sertãozinho (2,50%), puxada por Produtos Alimentícios (3,21%) e Máquinas e Equipamentos (2,81%);


– Rio Claro (0,88%), com forte alta no setor de Metalurgia (76,34%) e em Produtos Alimentícios (1,46%).


 


As regiões que encabeçaram as demissões no estado foram:


 


– Jaú (-5,07%), influenciada por Produtos Alimentícios (-12,04%) e Informática (-6,64%);


– Araçatuba (-4,78%), com destaque para Coque, Petróleo e Combustíveis (-15,98%) e Produtos Alimentícios (-12,20%);


– Matão (-4,58%), puxada por Produtos de Metal (-9,20%) e Produtos Alimentícios (-5,54%).


 


Os resultados positivos e negativos verificados no setor de Produtos Alimentícios referem-se, respectivamente, ao início do plantio de cana-de-açúcar, e ao esgotamento do período de safra – consequência das demissões de final de ano.


 


Expectativa


Também divulgado nesta sexta-feira, o Sensor da primeira quinzena de fevereiro ainda indica tendência negativa para o ambiente de negócios. O indicador antecedente subiu para 41,4 pontos, ante 38,7 na segunda quinzena de janeiro. Todos os componentes, no entanto, seguem abaixo do ponto neutro (50).


 


O item mercado deu sinais de que parou de cair – ficou em 49,8 contra 41,9 na última medição. “É uma boa recuperação, não acompanhada por vendas [35,5] e estoque [32]. A absorção dos produtos estocados é um processo lento, e a desintoxicação da cadeia produtiva leva um certo tempo”, explicou Paulo Francini.


 


O componente Investimentos também apresentou ligeira melhora (47), contra 38,9 na apuração anterior. Já o item emprego (42,6) ainda indica tendência de queda.


 


Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias