Indústria paulista bate recorde de contratações em março - CIESP

Indústria paulista bate recorde de contratações em março

Com a abertura de 45 mil novas vagas, representando crescimento de 1,37%, em relação a fevereiro, com ajuste sazonal, março deste ano apresentou o melhor resultado comparativo do nível de emprego desde julho de 2005, que marca o início da série apurada pelo Ciesp e pela Fiesp.

O dado sazonalizado aponta aumento de 2,05% frente a fevereiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, o balanço também foi positivo, como demonstram os 36 mil postos abertos. No primeiro trimestre, 2010 já criou 79 mil postos de trabalho.

“Batemos um novo recorde neste mês, ele é o melhor março desde julho de 2005”, comemorou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp e da Fiesp, Paulo Francini.

O avanço expressivo do Índice se deve, sobretudo, ao setor de açúcar e álcool, que assiste à retomada da safra no interior paulista, explicou. “Dos 2,05% de aumento no emprego, 1,25% é decorrente do setor de açúcar e álcool”, disse.

Para ele, o segmento continuará crescendo em abril e maio, e depois deverá ficar estável até novembro. “O setor só vai sair de cena, mesmo, no final do ano”.

Segundo o diretor, em 2010 açúcar e álcool mostrou que sua sazonalidade foi alterada, pois as contratações começaram logo em fevereiro, diferente dos anos anteriores, em que as vagas começavam a surgir somente em março. Para Francini, este comportamento será uma tendência nos próximos anos.

“As usinas estão dispostas a ficar o menor tempo possível paradas; e foi isto que antecipou o nível de contratação do setor, fato que deve se repetir nos anos seguintes”, ressaltou.

De acordo com Francini, restam cerca de 140 mil postos a serem preenchidos para que a indústria de São Paulo retome os níveis pré-crise. “Setembro é sempre o melhor resultado do Índice, por isso, somente neste período é que teremos uma noção real de quantos empregos ainda temos que recuperar”, concluiu.

Setores em alta
Todos os 22 setores da indústria analisados no período apresentaram saldo positivo, comportamento inédito nos cinco anos da série de emprego das entidades.

Também pela primeira vez a abertura de vagas ficou mais equilibrada, já que não se apoiou somente na safra da cana. “No primeiro trimestre deste ano os demais setores expandiram 2,3% de seus empregos, o que não acontecia desde o início da série, em 2005”, enfatizou Francini.

Mesmo assim, os destaques de março vão para as frentes ligadas à produção de açúcar e álcool, como é o caso do líder de contratações do mês, Fabricação de coque, petróleo e biocombustíveis, que teve crescimento de 20,7%, correspondentes a 5.795 cargos ocupados.

O setor de Produtos alimentícios apresentou o segundo melhor rendimento do Estado, com 9,4%, ou 25.623 postos, em termos absolutos.

Comportamento regional
Do total de 36 diretorias regionais avaliadas pelo Índice, 32 tiveram comportamento positivo, três negativo e uma se manteve estável.

Como no caso do resultado dos setores industriais, as regionais também foram diretamente afetadas pelo ritmo das usinas. Dessa forma, Araçatuba liderou as contratações, com avanço de 9,9%, puxadas por coque, petróleo e biocombustíveis (ligado à produção de etanol) e produtos alimentícios – devido ao açúcar.

Em Jaú, onde o nível cresceu 9,56%, produtos alimentícios e artefatos de couro e calçados foram os responsáveis pelo bom desempenho. Em Sertãozinho, mais uma vez os alimentos marcam forte presença na abertura de vagas. Junto com produtos de metal, trouxe crescimento de 8,51% de postos de trabalho.

Entre as regiões com desempenho negativo, mais uma vez Matão apresentou o pior resultado do Estado, com 3,38% negativos, devido aos resquícios do fim da safra de laranja. A segunda região com maior queda de empregos foi a de Santos, com -1,49%, devido à queda do uso do vestuário praiano.

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Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp