Indústria fecha 3,5 mil vagas em SP - CIESP

Indústria fecha 3,5 mil vagas em SP

O fechamento de 3,5 mil postos de trabalho na indústria paulista em maio frustrou as expectativas do Centro e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp/Fiesp), que esperavam estabilidade para o índice de emprego no setor de transformação após o ciclo de demissões iniciado com a crise financeira, em outubro do ano passado.


A variação com ajuste sazonal teve queda de 0,69% no mês, a pior para o período desde 2006, conforme pesquisa divulgada nesta quarta-feira (17) pelo Ciesp e a Fiesp. A variação absoluta registrou baixa de 0,17%.


“O fato de ter ocorrido ainda uma perda de empregos em maio nos frustra. A trajetória para chegar no zero será um pouco mais longa do que havíamos previsto”, avaliou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades. O índice de emprego obteve duas altas seguidas em março e abril, e recuperou cerca de 26 mil vagas no período.


Ajuste de empregos continua
As atividades ligadas ao setor de açúcar e álcool foram responsáveis pela geração de 5 mil vagas no mês, e tiveram elevação de 33% de janeiro a maio. Os demais setores demitiram 8,5 mil trabalhadores no mês e acumularam variação negativa de 5,1% no ano – contra crescimento médio de 3% no mesmo período de 2007 e 2008.

“Isso nos mostra que a queda se mantém em razoável dimensão, e que o ajuste de empregos ainda não se promoveu por completo”, considerou Francini. Segundo ele, a queda deve-se mais ao fraco desempenho das exportações, e menos ao mercado doméstico. O setor automotivo, por exemplo, experimentou uma inversão da balança comercial em 2009, com um saldo favorável para as compras externas, após 14 anos de expansão.


Já o setor sucroalcooleiro vê chegar ao fim a fase das contratações neste ano. “O campo e as usinas estão cheios, portanto não esperamos mais variações positivas no setor para junho. Nos próximos meses, o índice vai depender dos demais setores da indústria”, afirmou o diretor do Depecon.


O setor de transformação já perdeu 46 mil vagas neste ano (-2,03%). Comparativamente a maio de 2008, a variação é negativa em 7,35%, o que equivale a 176 mil trabalhadores a menos na indústria.


Perspectiva
Apesar de adiada a estabilidade no índice, Ciesp e Fiesp reafirmam que o maior impacto da crise financeira na geração de empregos do setor já ocorreu.

“A economia tende a um equilíbrio, e esperamos um comportamento positivo no segundo semestre, com a taxa de crescimento [PIB] na rota dos 3% a 4%”, projetou Francini. “E é neste período que esperamos um princípio de recuperação do emprego. Porém, sabemos que não vai fechar [o ano] positivo”, acrescentou.


Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias