Indústria de SP tem pior semestre da história - CIESP

Indústria de SP tem pior semestre da história

A atividade da indústria de São Paulo registrou queda de 14,1% no primeiro semestre do ano, o pior resultado acumulado desde 2001, início da série histórica do Indicador de Nível de Atividade (INA) do Ciesp e da Fiesp.


Segundo a pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (29), o setor manteve o ritmo de melhora dos últimos três meses e apontou elevação de 2% na passagem de maio para junho, em termos ajustados, e de 0,4% sem ajuste sazonal.


“A queda em relação ao mesmo período do ano passado vem diminuindo, e já está menor do que nos primeiros meses de 2009. Não podemos considerar que a trajetória seja péssima”, explicou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp/Fiesp.


A queda é de 12,8% na comparação com junho de 2008, e no acumulado em 12 meses a retração atinge 6,8%. O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) do último mês ficou em 80,6%, praticamente estável em relação a maio (80,9%), e abaixo do nível verificado em junho do ano passado (84,1%). O total de vendas reais se destacou entre as variáveis, com alta de 5,4% – o que, aliado a uma produção menor, indica baixa do nível de estoques.


Projeções
Para o Ciesp e a Fiesp, é correta a versão de que o Brasil está tecnicamente saindo da recessão, com um provável resultado positivo do PIB no segundo trimestre do ano. Segundo projeção das entidades, a variação do período deverá ficar entre 1,5% e 2%.

“É importante frisar que parte desse crescimento deve-se ao baixo nível que chegamos. Obter ganho sobre um nível muito inferior é mais fácil”, alertou Francini. “É possível que os outros trimestres não acompanhem esse desempenho, porque a base de comparação será mais elevada”, prosseguiu.


De acordo com Paulo Francini, será uma tarefa difícil para o Brasil conseguir algum crescimento no PIB em 2009, ou mesmo obter taxa zero. Com um resultado positivo de 1,5% no segundo trimestre, os trimestres seguintes precisariam crescer a uma taxa de 1,9% para que a economia do País ficasse estável em relação a 2008.


“Se terminarmos o ano com queda de 0,5% será razoável, tendo em vista o cenário que tínhamos nos primeiros meses. E se este for o preço da crise, o Brasil estará pagando um preço baixo em comparação a outros países mais afetados”, sublinhou.


Segundo o diretor do Depecon, o menor impacto da crise no Brasil se explicaria pelo fato de a perda de empregos ter se concentrado na indústria, cujos efeitos não contagiaram outros setores da economia, como ocorreu em outros países.


“O pior da crise já aconteceu. E o melhor também, porque o temor de que ela pudesse afetar o emprego em outros setores não se verificou”, afirmou Francini. “Diminuímos o ritmo, a expansão do crédito arrefeceu, e a taxa de variação da massa salarial passou de 8% para 3% ao ano. O que dava fogo à panela do crescimento eram essas grandes taxas. Quando voltarmos a crescer, certamente o ímpeto não será o mesmo”, arrematou. Para a atividade da indústria paulista, as entidades preveem uma queda de 8% ao final do ano.


Setores
Um dos mais afetados com a chegada da crise no Brasil, o segmento de Máquinas e Equipamentos suspirou no mês de junho, dando indícios de uma eventual recuperação. Houve alta de 4,6% em termos ajustados, mais que o dobro da média da indústria.

O caminho de retomada será reforçado por medida regulamentada recentemente pelo governo, que baixou as taxas de juros para aquisição de bens de capital até dezembro de 2009. “Certamente a medida trará resultados positivos, que poderão ser contabilizados no segundo semestre”, avaliou Francini. O setor acumula retração de 30,3% no ano.


Na avaliação do Ciesp/Fiesp, o segmento de Veículos Automotores perdeu o ímpeto de crescimento dos meses anteriores, que estava associado à política de redução tributária, mas continua com razoável desempenho – comparativamente às projeções mais pessimistas feitas para o setor no início da crise. Em junho, houve alta de 3,9% com ajuste sazonal.


Já o setor de Metalurgia Básica ainda não dá sinais de recuperação, “e continua patinando em um patamar bem baixo”, segundo Paulo Francini. Houve queda de 0,9% com ajuste sazonal, e o nível de utilização da capacidade instalada está em 80%, aquém do esperado para um setor de produção contínua.


“É uma atividade muito abalada pela redução do mercado internacional, porque 25% de sua produção são destinados à exportação”, explicou o diretor de economia do Ciesp/Fiesp.


Segundo as entidades, até agora a exportação de produtos industrializados já sofreu uma queda de 35% em relação a 2008. Entre os setores mais afetados aparecem produtos de madeira, couro e calçados, outros equipamentos de transporte, veículos, máquinas e equipamentos, metalurgia, celulose e produtos alimentícios, que destinam mais de 20% de sua produção ao mercado externo.


Sensor
O indicador antecedente da Fiesp registrou 53,9 pontos na segunda quinzena deste mês e trouxe uma boa notícia: este é o maior número da série histórica desde setembro de 2008 (54,8), período anterior à crise. Mercado (62,5) e vendas (58,6) continuam em destaque, seguidos por emprego (54,2), que também não registrava resultado semelhante há um ano.

O item investimento (50,5) baixou três pontos em relação à medição anterior, e o estoque teve uma ligeira melhora (41,6), mas ainda continua acima do desejado.

Veja os resultados do Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias