Indústria de SP cresce 2% em fevereiro - CIESP

Indústria de SP cresce 2% em fevereiro

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista cresceu 2% em fevereiro sobre janeiro, na série com ajuste sazonal. O desempenho do primeiro bimestre do ano já é 5,9% maior do que o registrado no mesmo período de 2010.

Sem o ajuste, o índice apontou alta de 4,2%, a maior variação da série para o mês de fevereiro, desde 2002. Os números foram divulgados nesta terça-feira (29) pelo Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp).

O número expressivo surpreendeu as entidades. Segundo o diretor de Economia Paulo Francini, o fato de o carnaval deste ano ter ocorrido em março acabou por influenciar positivamente as vendas reais da indústria de transformação em fevereiro (+5,3%), variação 13,8% acima da apurada um ano antes.

“Ficamos surpresos com essa forte variação, quando a indústria vinha andando de lado nos últimos meses”, declarou Francini, em entrevista coletiva. Ele explica que a ausência do feriado de carnaval em fevereiro aumentou o número de dias úteis e favoreceu o bom desempenho das vendas no período, de onde veio grande parte do crescimento do INA no mês.

O efeito, porém, não deve se repetir na próxima apuração. “Do mesmo modo, as vendas reais em março serão afetadas para baixo por conta do carnaval”, avaliou.

Números
O total de horas trabalhadas na produção cresceu 1,4% em fevereiro. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) teve ligeira elevação no segundo mês do ano – 84,1% contra 83,8% na última medição, em janeiro, na série livre de influência sazonal.

Entre os setores avaliados pela pesquisa, destacam-se:

Alimentos e Bebidas, com crescimento de 0,7% sobre janeiro, em termos ajustados;
Produtos Químicos, Petroquímicos e Farmacêuticos, com alta de 1,4%;
Minerais não-Metálicos, que computou crescimento de 3,4% no período.

Expectativa
A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, segue em alta no mês de março. A pontuação do indicador saltou de 54 pontos em fevereiro para 55,9 pontos, a maior desde junho de 2010.

A projeção para vendas subiu mais de seis pontos na expectativa dos empresários: 60,5 contra 54,2 na última medição. Os itens mercado e investimento ficaram estáveis na passagem mensal (58,8 e 56,8, respectivamente). Emprego foi a única variável a registrar queda em março, de 51,9 para 47,1.

Estoques em baixa
O Sensor de março deu sinais de que a indústria de transformação está subestocada: a apuração deste item ultrapassou a faixa neutra e pulou para 56,4 pontos, que indica estoque aquém do desejado.

A queda no nível dos estoques também é reflexo da forte alta nas vendas reais, mas não preocupa. Para Paulo Francini, a oscilação deverá ser absorvida dentro do processo natural da demanda, em um ou dois meses. “Pela primeira vez, depois de muito tempo, a indústria tem menos estoque do que gostaria. Mas isso é pontual, não significa carência”, argumentou.

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias