INA cai em janeiro e Skaf vai a Brasília cobrar medidas - CIESP

INA cai em janeiro e Skaf vai a Brasília cobrar medidas

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou queda de 0,8% em janeiro sobre dezembro, na série com ajuste sazonal. Apesar de ter fechado o ano com variação positiva de 0,7%, a recuperação ainda não é sentida e para crescer 1,2%, como projetado pela Fiesp/Ciesp, a indústria terá de crescer todos os meses 0,9% até dezembro deste ano.

Sem o ajuste, o INA despencou 4,1% na comparação com o mês anterior. Janeiro é o quinto mês consecutivo de queda.

“A leitura de recuperação não ocorreu ainda, O Sensor [termômetro da expetativa do empresário] anuncia que ela irá ocorrer. Existe, claro, uma reação às medidas do governo, especialmente com relação a crédito a prazo, incentivo tributárioà linha branca e Construção, mas vamos aguardar um pouco”, avaliou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp (Depecon).

De janeiro a dezembro de 2011 o indicador acumula variação positiva de 0,7% em relação ao mesmo período de 2010, descontando o ajuste à sazonalidade. Os números foram divulgados na manhã desta terça-feira (28) pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ficou em 79% no mês de janeiro 2012, ante 78,4% em dezembro de 2011. Na leitura com ajuste sazonal, o componente aumentou pouco mais de um ponto percentual, de 80,5% em dezembro do ano passado para 81,7% neste mês.

Expectativa

A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico no mês corrente aumentou mais de seis pontos em fevereiro ante janeiro e ficou em 48,8. A expectativa é medida pelo Sensor Fiesp.

Francini alertou, no entanto, que a entidade deve aguardar o sinal de melhorar verificado no componente se concretizar antes revisar para cima as projeções. “Nós não nos animamos a revisar esse número por enquanto. Pretendemos verificar o que vai acontecer nesses primeiros meses, já que o Sensor nos indica uma melhora em fevereiro com relação a janeiro”, afirmou. “A indústria de transformação no Brasil continua doente, essa melhora é relativa”.

O item mercado também subiu para 50,4 pontos ante 41,4 em janeiro deste ano. O estoque ficou praticamente estável com 43,7 pontos em fevereiro versus 43,4 no mês anterior. Vendas apresentaram ganho superior a oito pontos e chegaram a 48,2 em fevereiro, enquanto investimento cresceu mais de seis pontos, de 46,3 em janeiro para 53,1 em fevereiro.

Contra desindustrialização

No esforço para tornar a recuperação da indústria uma realidade, o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, está em Brasília nesta terça-feira (28) para pedir ao Senado pela aprovação da Resolução 72, a qual busca acabar com a diminuição da alíquota interestadual de ICMS no Estado de desembarque da mercadoria vinda do exterior (origem), uma prática que vem fomentando o ingresso excessivo de importações no País, via portos.

Pela resolução, uma alíquota de 4% passaria a ser cobrada no Estado de origem. “É preciso eliminar o instrumento que os governos estaduais têm para incentivar a entrada de produtos importados”, disse o presidente da Fiesp. A entidade defende a aplicação de 4% na origem tanto para os produtos importados quanto para os nacionais.

Setores

O setor de Fabricação de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos apresentou queda expressiva de 5,6% sobre dezembro, em termos ajustados, castigados principalmente pela forte entrada de produtos importados. O coeficiente de importação do setor atingiu o patamar de 38,4% no quarto trimestre de 2011.

“De tudo que se demanda no Brasil, quase 40% é importado sendo que esse índice já foi de 25%, é um setor que está sendo muito agredido pelos importados”, complementou o diretor da Fiesp.

Veículos Automotores também anotaram baixa, de 5,7% na série com ajuste sazonal. “Existe prenúncio de recuperação no mês de fevereiro, já que houve férias em janeiro em algumas indústrias automobilísticas. Então diria que no caso da indústria automotiva é algo mais acidental, enquanto em materiais elétricos é mais permanente.”

Câmbio

Na avaliação do diretor, a indústria continua fragilizada pela valorização cambial, um facilitador da massiva entrada de produtos importados no mercado brasileiro. E o câmbio se configura como um problema ainda maior do que já foi no ano passado.

“Estamos hoje, efetivamente, em uma grande guerra cambial que se estabeleceu entre Europa e Estados Unidos, e ambos os blocos querem desvalorizar sua moeda para fortalecer as suas exportações. Isso significa que a consequência para nós será a valorização da nossa moeda”, explicou Francini.

O câmbio, que chegou a R$ 1,80 nos primeiros dias do ano, agora opera perto de R$ 1,70. “E nós sabemos os efeitos maléficos dessa valorização do Real para a indústria doméstica.”