III Congresso da MPI: Empresários desaconselham ações isoladas para fugir da crise econômica internacional - CIESP

III Congresso da MPI: Empresários desaconselham ações isoladas para fugir da crise econômica internacional

 

Lideranças da indústria sinalizam que o bom desempenho econômico dos últimos anos irá amortecer o impacto, pedem união e exigem ação ‘rápida e forte’ do governo
 
A adoção de medidas isoladas para se proteger de possíveis efeitos da crise financeira internacional por empresários brasileiros pode causar “suicídio coletivo”, ampliando a área de impacto da turbulência iniciada nos Estados Unidos. O argumento é de que o crescimento registrado pela economia brasileira nos últimos anos deve atenuar o desdobramento da crise no país.
 
A avaliação foi apresentada por lideranças do setor produtivo durante a mesa-redonda “Perspectivas Econômicas para as Micro e Pequenas Indústrias em 2009”, que a Fiesp e o Ciesp realizaram na noite desta terça-feira (07), no encerramento do 3º Congresso da Micro e Pequena Indústria, evento que reuniu mil empresários durante todo o dia.
 
Na opinião dos participantes do debate, medidas como suspender investimentos, demitir funcionários e diminuir capital de giro ofendem a economia real em sua melhor fase dos últimos anos.
 
Para o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp/Ciesp, Paulo Francini, a mudança de humor do empresariado é preocupante e pode levar conseqüências maiores do que as que efetivamente estão vindo de fora. “À medida que os agentes econômicos, seja a indústria, o comércio, ou as instituições financeiras, passam a adotar medidas isoladas para se protegerem elas, somadas, podem acarretar uma crise interna sem necessidade”, avaliou.
 
Francini não minimizou, contudo, os efeitos da crise. Ele reconheceu que 2009 terá crescimento menor que o deste ano, cujo PIB deve fechar com 5,4% de aumento. “A crise é um problema do mundo e o Brasil não é a ilha da fantasia, o que muda é o grau de intensidade com que seremos afetados. Temos que trabalhar para que no próximo ano ele não seja grande e não voltemos à recessão”, indicou.
 
União anti-crise
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Eletro Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, também defendeu a cautela como a melhor postura a ser assumida pelo empresariado. Segundo ele, os US$ 200 bilhões que o Banco Central mantém em reserva podem ser usados como caixa para garantir o crédito no mercado interno. “Felizmente, o Brasil vive um momento mais confortável do que anos atrás, com grandes reservas cambiais”, frisou.
 
Paulo Francini concordou com o presidente da Abinee e convocou os setores privados a se unirem para apoiar e cobrar ações rápidas do governo no combate à crise. “Precisamos de agilidade e força na ação e uma aliança para superar a crise”, aconselhou.
 
Reforma tributária
Para o ex-senador Rodolfo Tourinho, o momento é propício para o país realizar a reforma tributária. “O governo já percebeu o motor que o crédito tem sido para o crescimento. A crise é um grande desafio e exige tornar o sistema tributário mais simples. A reforma pode incrementar a economia no equivalente a 0,5% do PIB”, afirmou.
 
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Nivaldo Souza
Agência Ciesp de Notícias
08/10/2008