Holanda pode ajudar Brasil a melhorar infraestrutura, avaliam Lula e Skaf - CIESP

Holanda pode ajudar Brasil a melhorar infraestrutura, avaliam Lula e Skaf

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (2), que a experiência portuária da Holanda – cujo Porto de Roterdã é apontado como modelo de eficiência operacional e administrativa – pode auxiliar o Brasil a melhorar a infraestrutura logística.

 







Foto: Vitor Salgado

Presidente Lula, na Fiesp


“A Holanda é um país com grande experiência na construção de navios, plataformas, sondas. Sua competência administrativa de portos, somada a tudo que estamos fazendo nos portos brasileiros, significa mais parcerias e indica que podemos fazer crescer a boa relação já existente” declarou Lula, em encontro com o primeiro-ministro dos Países Baixos, Jan Peter Balkenende, na sede da Fiesp/Ciesp.

Lula argumentou que a crise financeira internacional vai “obrigar o aprofundamento” das relações bilaterais com os holandeses, principalmente após as descobertas recentes de petróleo na camada pré-sal.

O Presidente garantiu que há recursos para investir. “Somos um País com uma política fiscal séria e, ao mesmo tempo, com capacidade de se endividar para fazer o que precisa na infraestrutura tão atrasada e tão esquecida por quase três décadas”, afirmou.

Ele destacou que a dívida pública soma 36% do Produto Interno Bruto (PIB). “É preciso procurar no mundo qual país que tem dívida pública menor que o Brasil”, defendeu.



Para o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, a Holanda pode auxiliar o Brasil a “recuperar o tempo perdido” na área de infraestrutura para assegurar o crescimento econômico.

“Devemos investir em portos, transporte marítimo, logística e energia na busca de um maior desenvolvimento”, pontuou Skaf. “Por outro lado, podemos contribuir no campo dos biocombustíveis, ensino técnico profissionalizante, educação superior voltada a tecnologia”, acrescentou.

Mais manufaturas







Foto: Vitor Salgado

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp



Paulo Skaf considerou a visita da comitiva holandesa – formada representantes de 70 empresas, ministros e diplomatas – uma forma efetiva de discutir a ampliação da corrente comercial entre as nações. “O total das importações brasileiras, em 2008, foi de 173 bilhões de dólares. Compramos da Holanda menos de um por cento de tudo o que o Brasil importou”, avaliou.

O fluxo comercial entre Brasil e Holanda triplicou na última década, saltando de US$ 3,5 bilhões, em 1998, para quase US$ 12 bilhões no ano passado. Em 2008, o lado brasileiro da balança ficou superavitário em US$ 9 bilhões, tendo vendido US$ 10,5 bilhões aos holandeses. Na contramão, as importações somaram US$ 1,5 bilhão.

O líder empresarial afirmou ser necessário ampliar a participação de produtos de maior valor agregado destinados ao Porto de Roterdã. Em 2008, a cesta de produtos brasileiros foi capitaneada por agroindustrializados de soja (US$ 2 bilhões) e químicos como álcool etílico e pasta de madeira (US$ 1,4 bilhão).

“Não nos satisfaz vender para a Holanda ou para a Europa, via Roterdã, apenas produtos primários. Temos qualidade e competitividade em nossos manufaturados. Portanto, devemos incluí-los em nosso fluxo comercial”, cobrou Skaf, após assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Fiesp e a Confederação das Indústrias Holandesas. 

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Mariana Ribeiro e Nivaldo Souza, Agência Ciesp de Notícias