Governo deve fazer sua parte para evitar onda de demissões, diz Skaf - CIESP

Governo deve fazer sua parte para evitar onda de demissões, diz Skaf

A crise que abate a economia brasileira requer uma ação imediata do Governo Federal, como, por exemplo, uma baixa significativa da taxa básica de juros, medidas anti-dumping e acordos trabalhistas que respeitem a atual legislação. A avaliação é do presidente do Ciesp e da Fiesp, Paulo Skaf, que nesta terça-feira (13) reuniu-se, pela segunda vez, na sede das entidades com representantes sindicais e do comércio.

“O governo precisa assumir que exerce uma política de juros abusiva. Diversos países já baixaram suas taxas de juros e só o governo brasileiro parece não entender esta necessidade”, disse Skaf. “Neste caso, trata-se de uma crise brasileira e não internacional”, ressaltou.

Representantes da indústria, agricultura e comércio, que estiveram presentes na reunião, defendem uma série de medidas, dentro da própria legislação, para evitar que as demissões se ampliem na economia. “Trabalhamos juntos neste sentido e há consenso em vários pontos”, destacou o presidente da Força Sindical, deputadoPaulo Pereira da Silva (PDT-SP).

“Não é necessário flexibilizar ou criar novas leis, mas sim utilizar recursos previstos na constituição brasileira, como a redução da jornada de trabalho, banco de horas, férias coletivas, entre outras”, acrescentou Skaf.

Diálogo permanente
A legislação atual permite que, por meio de acordo com sindicato, as empresas reduzam a jornada de trabalho com conseqüente redução dos salários.

Opresidente da Força Sindical disse que os trabalhadores estão dispostos a conversar.E ressaltou que,diante daameaça de demissão, o trabalhador deve procurar o sindicato de seu setor para que estenegocie juntoà empresa a manutenção do emprego.

O presidente do Ciesp/Fiesp reforçou o compromisso assumido há semanas, de colocar à disposição das empresas e sindicatos que firmarem acordo vagas para requalificação de trabalhadores. “Inicialmente serão 100 mil, mas colocaremos tantas vagas quantasforem necessárias”, afirmou.

Importações predatórias
Skaf também mostrou preocupação com um provável surto de importações predatórias e desleais que, segundo ele, aumentaria ainda mais a onda de demissões.

Para ele, a crise financeira internacional tende a diminuir a demanda de grandes importadores como os Estados Unidos e Europa – principais compradores de produtos chineses. Esão exatamente os produtos da China que preocupam a entidade, que entram no País de maneira desleal e ilegal.

“É preciso que nos antecipemos quanto a isto. Não podemos, com o câmbio agora estabilizado, deixar que produtos aportem no país e aumentem a crise”, afirmou.

O encontro desta terça-feira reuniumais de 40 participantes, entre eleso presidente da Fecomércio, Abram Szajman; o presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Fábio Meirelles; e o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva.

No próximo dia 22 (quinta-feira), as entidades trabalhistas da indústria e do comércio voltarão a se encontrarcom ointuito defechar uma posição conjunta para brecar a onda de demissões.

Para obter o áudio do presidente do Ciesp/Fiesp, Paulo Skaf, sobre a reunião desta terça-feira clique aqui

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp